O exorcismo de Emily Rose foi um dos filmes de maior sucesso sobre possessão demoníaca. A história assustadora dizia que a jovem foi possuída por diversos demônios.

Mas a história real que inspirou a criação da história é, na verdade, muito mais dramática do que assustadora.

A jovem Annelise Michel vivia em uma pequena cidade alemã com a sua família. Extremamente católicos, eles frequentavam a igreja ao menos 2 vezes na semana, e eram muito devotos da palavra divina.

Quando completou 16 anos, Annelise começou a sofrer de convulsões, e foi diagnosticada com um grave quadro de epilepsia. Pouco tempo depois, a menina entrou também em um quadro profundo de depressão, e aos 20 anos foi confinada em um hospital para se tratar.

Ela então começou a ouvir vozes, e desenvolveu certa aversão a objetos religiosos, provavelmente por ter algum trauma familiar relacionado a sua família, que era extremamente católica. Mas esse detalhe foi justamente o que condenou Annelise à morte.

Pais da menina procuraram ajuda religiosa e abandonaram os tratamentos

Os pais de Annelise tomaram uma decisão trágica, e pararam com as medicações indicadas pelo hospital. Eles então foram em busca de ajuda espiritual, e encontraram os sacerdotes Arnold Rens e Ernst Alt, que deram início às intensas sessões de exorcismo.

Annelise foi submetida a várias reuniões com os religiosos que, assim como os seus pais, estavam convictos de que o quadro dela era de possessão demoníaca.

Com a medicação suspensa, as crises da menina se tornaram ainda mais intensas, e ela tinha convulsões seguidas. Os sacerdotes informaram então aos pais de que haviam identificado vários demônios no corpo da garota, entre eles Nero, Hitler, Judas, Caim e Lúcifer.

Durante o procedimento de exorcismo, Annelise era trancada em uma cela, e privada de dormir e de comer, o que a deixava ainda mais nervosa em suas condições já fragilizadas, e, em contrapartida, os sacerdotes e os pais acreditavam que os demônios estavam enfurecidos pelas orações.

Foram 11 meses de sessões, e mais de 60 encontros com os padres até que Annelise não suportou mais a situação e faleceu.

No dia de sua morte, foi identificado que o seu joelho estava com o ligamento rompido por conta das convulsões, e ela pesava apenas 30 kg graças aos intensos jejuns impostos pelos religiosos.

A causa da morte foi então dada como desnutrição e desidratação. Ela tinha apenas 23 anos.

Pais e religiosos foram incriminados pela morte da jovem

A partir desse momento, a Alemanha começou um intenso debate sobre religião e medicina, e quando o Estado deve intervir na religião de uma família para salvar uma vida.

Os pais e os padres foram processados por homicídio e considerados negligentes diante da doença de Annelise. A Justiça, no entanto, decidiu encerrar os processos contra o casal, considerando que eles estavam sofrendo a perda da filha.

Os sacerdotes foram processados e cumpriram pena em regime aberto por 3 anos.

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