Game of Thrones, do canal por assinatura HBO, se consolidou com uma das maiores séries de todos os tempos. Ambientada no que equivale à Idade Média, a série conta com atores de ponta [VIDEO], cenários maravilhosos e muita complexidade no que tange as relações pessoais.

Alguns psicólogos passaram, de forma simples, a analisar os padrões psicológicos de algumas personagens da trama [VIDEO]. O resultado é surpreendente:

Jon Snow - O fruto da 'traição'

Para quem acompanha a série sabe que de bastardo Jon não tem nada. Porém, ao ser levado para as terras do Norte ainda bebê, sempre sentiu a rejeição da matriarca dos Stark. Enquanto seus irmão eram Starks, Jon era ninguém, um fruto indesejado de um relacionamento extraconjugal.

Sendo assim, ele cresce sem um referencial familiar, principalmente sem referencial de pais. Segundo o psicólogo Lucas Simões Sessa, ele apresenta um caso claro de insegurança nas tomadas de decisão - fato compreensível para quem não teve referencial de pai e mãe. Um tanto quanto impulsivo e idealista.

Porém, Jon amadurece ao longo da trama e vestir o negro faz com que o garoto inseguro comece a aflorar outra característica importante: liderança. Jon torna-se um líder com senso de justiça e amor ao próximo.

Tyrion Lannister - O anão astuto

Os Lannister configuram-se como um das mais importantes família dos sete reinos. Conhecidos pelos cabelos dourados, pela força dos homens nas batalhas e por jogar sujo muitas vezes, apreciam uma certa ‘’pureza genética’’, que mantém seus descendentes louros e esguios.

Eis que nasce Tyrion, o anão. Envolto nessas complexas questões narcisistas de sua família, Tyrion é visto como um ser estranho, uma desgraça que se abalou sobre os Lannister (e ainda é culpado por matar a mãe no parto).

Com uma infância baseada no abuso emocional, ele se refugia nos livros - tornando-se o cérebro da família Lannister. É um alcoólatra e grande frequentador de bordéis. Além disso, ele desponta como um dos maiores estrategistas da série, exercendo de maneira magistral seu papel de mãe com Joffrey (quem não se lembra da bofetada que Tyrion deu nesse menino abusado?) e posteriormente com Daenerys.

O fato de não se encaixar nos padrões Lannister o dotou de alta habilidade social.

Cersei Lannister - A leoa

Uma das características que mais chama a atenção para essa personagem é a sua audácia para com os inimigos. Como ela mesma gosta de dizer, ‘’se não é um Lannister, é um inimigo’’. Com essa frase ela mostra a mania de perseguição herdada de seu pai.

A leoa de cabelos dourados apresenta um amor incondicional por seus filhos e seu irmão, que também é seu amante e pai de seus filhos.

Porém, por trás da máscara de força e altivez, Cersei se mostra absolutamente frágil, solitária e com baixa autoestima. Quando se casa com o rei Robert, ela sofre um grande processo de rejeição, fato que a deixa a cada dia mais distante das pessoas. É uma alcoólatra antissocial e narcisista. Agressiva com todos que se opõe a suas ordens.

Seu relacionamento com o irmão gêmeo é cheio de mazelas psicológicas - ela busca o narcisismo da ‘’pureza genética’’ da família, pois ela necessita de pessoas ‘’iguais’’ a ela. Afinal, se não é um Lannister é o quê? Inimigo. Eis aí uma sociopata que Freud adoraria ter em seu divã.

Arya Stark - A pequena grande guerreira

Membro do clã Stark, Arya sempre se sentiu diferente da irmã Sansa. Interessada desde a infância por táticas de guerra e pelo domínio de armas, ela passa por momentos de conflito de identidade onde tenta lutar pelos seus anseios pessoais.

Em uma sociedade patriarcal, Arya pode ser vista como um símbolo do empoderamento feminino - casamento e filhos nunca estiveram em seus planos. Quer ser reconhecida como uma mulher forte e dona de seu destino.

Sua família é dizimada e os sobreviventes são dispersos por todo o reino. Ela consegue sobreviver através de sua astucia e coragem. É vingativa, forte e capaz de suportar grandes provações.

Daenerys Targaryen - A Mãe dos Dragões

Ela vem de uma casa rodeada de lendas e histórias complicadas. Seu pai (o rei louco) pode ser classificado como piromaníaco, seu irmão (Viserys) sofre de megalomania. O que esperar da platinada?

No início da trama se mostra como uma frágil garota, vendida aos dothraki por seu irmão. Porém, em Khal Drogo ela vê a oportunidade de conquistar o que é seu por direito (o que ela pensa ser seu), o trono de ferro.

Com a morte de Drogo e o nascimento de seus dragões, Daenerys ressurge como uma fênix (literalmente) e começa a mostrar ao mundo aonde quer chegar. Ela apresenta um grande senso de justiça e lealdade, ficando conhecida como a ‘’quebradora de correntes’’, ‘’a libertadora’’.

Porém, ela apresenta certo delírio de grandeza, fato que a torna contraditória muitas vezes. Ela também é um símbolo do empoderamento feminino - aquela que era fragilizada e através das dificuldades consegue libertar a rainha que estava dentro de si. Mostra que, apesar dos pesares, as mulheres tem em si a força que dá a vida (inclusive para lindos dragões) e que também destrói ("Dracarys").

Ramsay Bolton - O sádico

Com certeza esse é um dos mais odiados da série. Apresenta um caso clássico de sadismo social e sexual. Ramsay, que também é bastardo e depois reconhecido como filho legítimo, mata o pai e, não satisfeito, alimenta seus cachorrinhos com a madrasta e o irmã recém-nascida. Estupra Sansa Stark e mata vários nortenhos de maneira cruel (‘’North Remembers’’).

Em seu amplo transtorno de personalidade, nota-se o prazer que ele sente ao infringir dor nas pessoas. É um clássico psicopata, antissocial. É considerado pelo psicólogo Kirk Honda o mais problemático da série.

Não se iludam, essas são apenas algumas das mais emblemáticas personagens da série. Toda a trama apresenta uma rede psicológica muito bem fundamentada, e cada personagem é cheio de mazelas. Por esses e outros motivos, o mundo se rende a Game of Thrones.