O escritor e jornalista Juan Alberto Cedillo, autor do livro “Los nazis en México”, aponta em um artigo publicado recentemente que criminosos de guerra [VIDEO] nazistas poderiam ter fugido para o México disfarçados de cidadãos mexicanos, no final da Segunda Guerra Mundial.

Durante o conflito bélico, centenas de jovens mexicanos, atraídos pela força persuasiva de Adolf Hitler, viajaram à Alemanha [VIDEO] para se juntar às fileiras da Wehrmacht (as forças armadas nazistas) para lutar especialmente no Front Oriental.

Cedillo escreve, em artigo no site “Enlace Judío”, que o Arquivo Geral da Nação, na Cidade do México, reúne alguns dos documentos, passaportes, fotografias e cartas desses mexicanos nazistas (boa parte, descendentes de alemães), que saíram principalmente das fazendas de café de Veracruz e Chiapas e de famílias abastadas da capital, Monterrey e de outros estados.

A maioria morreu na tentativa frustrada de invadir a União Soviética [VIDEO], enquanto outros foram detidos pelos Aliados, e muitos tentaram regressar ao México – alguns ilegalmente. “Centenas mais que não eram de origem mexicana também tentaram fugir da Europa vindo para o México. Alguns conseguiram”, diz o pesquisador.

Ao final da guerra, muitos nazistas, incluindo altos funcionários do regime alemão, fugiram para a América Latina, tentando escapar das condenações do Tribunal de Nuremberg por crimes de guerra. Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia e Brasil foram alguns desses países. Um dos nazistas mais famosos foi o médico Josef Mengele, que continuou o trabalho que vinha desenvolvendo nos campos de concentração sobre genética humana e morreu no Brasil no final dos anos 1970, após três décadas de clandestinidade.

“Até agora se desconhecia que um bom número [de nazistas] veio ao México. Mas atualmente sabemos que alguns puderam fugir para o nosso país para depois passar aos Estados Unidos”, escreve Cedillo.

“Quantos? Quem? Como? Por onde? Receberam ajuda do governo de [ex-presidente] Miguel Alemán? São perguntas que estão sem resposta. Existem muitas lendas sobre a presença de nazistas em diversas cidades da República Mexicana, que chegaram ao término da Segunda Guerra Mundial”, completa.

Espiões nazistas

Hitler tinha especial interesse no petróleo mexicano. O governo alemão começou a comprá-lo por volta de 1938 e o negócio durou até 1942, quando o México declarou guerra ao Eixo, pressionado pelos EUA.

Segundo Benjamín Laureano Luna, também no site “Enlace Judío”, os espiões alemães Hans Trotter e Shereiter foram enviados ao México para fundar uma filial do partido nazista, com o nome de União Nacional Sinarquista.

Entretanto, eles não eram os únicos agentes de Berlim no país. Transmissões de rádio de espiões alemães foram realizadas a partir da fronteira com os EUA e o engenheiro Peter Wirgman fez planos para implantar uma colônia nazista na Baixa Califórnia para instalar uma possível base naval que abrigasse navios japoneses, relata Luna.

Além disso, algumas escolas ensinavam a doutrina nazista e a Alemanha financiou jornais e editoras mexicanos, incluindo a publicação de obras nazistas como “Mein Kampf”, de Hitler.

Uma das principais agentes do Reich no México foi a atriz alemã Hilda Krüger. Ela manteve relações íntimas com personalidades influentes da política mexicana, a fim de persuadi-los a cooperar com a Alemanha.

No entanto, houve um combate ao Nazismo por parte do governo. Quando o México entrou na guerra do lado dos Aliados, o governo mexicano criou um campo de detenção em Veracruz e enviou para lá cerca de 500 alemães, italianos e japoneses, entre 1942 e 1945. A informação foi documentada recentemente no livro “Perote y los nazis: las politicas de control y vigilancia del Estado mexicano durante la Segunda Guerra Mundial (1939-1945)”, de Carlos Inclán Fuentes.