Uma mulher norte-americana entrou na Justiça contra um médico especializado em fertilização humana após dar-se conta de que o mesmo era, na verdade, seu pai biológico.

A história, que a primeira vista parece bastante confusa, na verdade é simples. O médico Gerald E. Mortimer, já aposentado, foi o profissional responsável pelo tratamento da fertilidade da mãe de Kelli Rowlette. Durante o tratamento, os pais de Kelli já haviam selecionado o material genético que seria utilizado na inseminação artificial da futura mamãe, Sally Ashby.

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Aos 36 anos, no entanto, Kelli, gerada a partir deste procedimento, descobriu que o material genético usado não era aquele que seus pais escolheram. Ela contou ao jornal ''Washington Post'' que só tomou conhecimento da verdade ao enviar amostras de seu DNA para o site Ancestry.com, que se propõe a revelar detalhes a respeito dos antepassados de seus usuários.

Foi aí que Kelli descobriu que, na verdade, o médico havia utilizado o próprio sêmen para a realização do procedimento. Ou seja, o pai biológico da moça era, na verdade, o próprio Dr. Mortimer.

Kelli apresentou uma ação à justiça por negligência médica e fraude. Mortimer foi contratado pelo casal Sally Ashby e Howard Fowler. Segundo o médico, Fowler tinha uma baixa contagem de esperma.

O casal então selecionou o material genético para o procedimento de inseminação artificial: o sêmen que deveria ter sido utilizado no procedimento pertencia a um universitário alto, de olhos azuis e cabelos castanhos.

O médico passou três meses mentindo para o casal, realizando inseminações nas quais utilizava o próprio sêmen enquanto dizia que estava utilizando o esperma do marido de Sally e do doador escolhido.

Sally engravidou em agosto de 1980. O parto também foi realizado pelo Dr. Mortimer. Sally conta que estranhou o fato de que, quando ela comunicou o médico de que iria mudar-se para Washington, este chorou. Alguns anos mais tarde, Sally teve outro filho, desta vez sem qualuer auxílio de Mortimer.

Quando o Ancestry.com comunicou a Kelli que ela poderia ser filha de um médico chamado Gerald E. Mortimer, a mulher pensou que os resultados de sua análise de DNA estivessem errados. No entanto, ao constatar que seus pais conheciam o médico, decidiu investigar o caso.

Mortimer nunca contou ao casal - e muito menos à filha - o que havia feito. Porém, quando Kelli passou a pesquisar documentos antigos, percebeu que o Dr. Mortimer havia assinado a sua certidão de nascimento e, a partir daí, resolveu processar o médico e a Associação de Ginecologia e Obstetrícia de Idaho Falls.

O médico foi procurado pela equipe do ''Washington Post'' para falar a respeito do caso, mas não foi encontrado.