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O ritual Hitobashira (人柱) começou com os sacrifícios humanos durante a construção dos Kofun (古墳), Túmulos antigos, que se originou na China, e apenas pessoas influentes ou de alta hierarquia possuíam no Japão [VIDEO], na época.

Os grandes construtores do século XVI afirmavam que construções que continham Hitobashira eram resistentes e seguras contra desastres naturais, especialmente quando as construções eram localizadas em locais de fáceis inundações e terremotos.

O ato Hitobashira consistia em sacrificar ou enterrar uma pessoa viva “com seu consentimento”, uma pessoa que fosse “pura” ou muito religiosa, assim ela passaria a eternidade rezando pela construção.

Existem poucos registros sobre pessoas que se ofereceram para ser Hitobashira e a maioria das pessoas relatadas são mulheres.

Construções envolvidas com Hitobashira

  • Aterro Karigane (Shizuoka)
  • Barragem Manda (Osaka)
  • Canal Imogawa (Nagano)
  • Castelo Gujo-Hachiman (Gifu)
  • Castelo Nagahama (Shiga)
  • Castelo Maruoka (Fukui)
  • Castelo Ozu (Ehime)
  • Castelo Komine (Fukushima)
  • Castelo Matsue (Shimane)
  • Hattori-Oike (Hiroshima)
  • Ponte Matsue Ohashi (Shimane)
  • Ponte Fukushima (Tokushima)
  • Ponte Kintaikyou (Yamaguchi)
  • Santuário Itsukushima (Hiroshima)

Lendas Hitobashiras

A construção mais conhecida no Japão por conter Hitobashira é do Castelo Matsue, construído no século 17. Durante sua construção um muro de pedras da torre central desabou diversas vezes ao longo de sua construção. Convencidos de que um Hitobashira estabilizaria a construção, construtores foram ao Festival Obon em busca de uma pessoa adequada para ser Hitobashira, chegando ao local do festival, em meio a multidão, uma jovem e linda moça chamou a atenção dos construtores por demonstrar excelente habilidade de dança.

Ela foi capturada e assassinada e oferecida aos Deuses como Hitobashira do local, após o sacrifício a construção continuou sem nenhum incidente. Após a obra ser concluída, o espirito da moça começou a assombrar o castelo, sempre que uma jovem dança aos redores do castelo toda sua estrutura trepida e devido a esse fenômeno qualquer tipo de dança foi banida nas ruas de Matsue.

* O Festival Obon é de origem budista, tem o mesmo significado que o Dia dos Finados no Brasil, tem como finalidade homenagear seus ancestrais, eles acreditam que durante o festival seus espíritos de antepassados retornam a este mundo para visitar seus familiares. Lanternas de papeis são penduradas em portas de casas e ao longo do caminho, inclusive em rios para guiar seus antepassados até seus lares.

Na província de Fukui, o Castelo Maruoka, um dos mais antigos do Japão também é alvo de rumores sobre Hitobashira. Diz a lenda que após constantes desmoronamentos, O-shizu mãe de apenas um filho, foi escolhida para ser Hitobashira, ela concordou sob a condição de seu único filho se tornar Samurai, então ela foi enterrada dentro do principal pilar do castelo.

A construção do castelo foi concluída sem nenhum incidente, porem a promessa não foi cumprida, desde então em toda chuva que ocorre na primavera o fosso do castelo inunda e os moradores afirmam que é uma forma de vingança de O-shizu.

Após um grande terremoto ocorrido em Hokkaidou em 1969, o Túnel Jomon construído em 1914, passou por muitos reparos para que suas paredes não desabassem. Em uma dessas paredes um esqueleto foi encontrado, enterrado de pé. Durante a construção prisioneiros foram obrigados a construir o túnel sob condições horríveis de trabalho, dizem que muitos foram enterrados vivos. Em 1980 um memorial foi construído em homenagem aos mortos. Em 2013 foram descobertos ossadas com mais de 500 corpos em volta do Túnel Jomon. Até hoje os condutores de trens afirmam que o túnel é assombrado por fantasmas de trabalhadores e seus Hitobashiras.

Apesar das evidências e dos contos relatados em livros de história do Japão, nenhum Hitobashira foi comprovado historicamente.