Observe atentamente a imagem abaixo; num primeiro olhar, o que ela parece para você?

À primeira vista, pode parecer que esta imagem faz parte de uma pintura. Talvez seja parte de um quadro de Van Gogh, com pinceladas enérgicas, ondulações e cores que sugerem, ao mesmo tempo, a noite e a luminosidade.

Até mesmo o detalhe no canto esquerdo da imagem lembra os ciprestes pintados pelo artista holandês, em geral posicionados sob um sol vivo e ardente, como a imagem também parece sugerir estar presente, no canto superior esquerdo da ''pintura''.

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E se te dissessem que esta imagem não somente não tem nada a ver com as telas de Van Gogh, como também não é sequer uma pintura? E se te dissessem que está imagem é uma fotografia de algo que você jamais imaginou que pudesse ser fotografado?

Pois bem.

A imagem que você observou no começo deste artigo é, em resumo, a expressão artística de um milagre universal. É uma fotografia científica que mais parece uma obra de arte.

Olhe de novo. Você está observando a superfície de Júpiter.

Júpiter é um planeta gasoso, o que quer dizer que ele não é primariamente composto de matéria sólida, e sim de gases, e em grande parte, de hidrogênio. Apesar de sua falta de ''solidez'', este é o maior planeta do nosso sistema solar - cerca de duas vezes e meia maior do que a massa de todos os demais planetas juntos.

E quando observado de perto - através da sonda Juno, enviada à órbita do planeta pela NASA - Júpiter é uma verdadeira obra de arte.

Este é o quinto planeta de nosso sistema solar mais próximo do Sol. Sua atmosfera é imensa - mais de 5 mil quilômetros de altitude - e está sempre coberta por densas nuvens de cristais de amônia, que estão sempre em meio a tempestades e ventanias intensas.

E são justamente estes movimentos constantes que conferem à superfície de Júpiter essa aparência de pintura abstrata ou impressionista, como se suas nuvens fossem, na verdade, pinceladas carregadas de tinta como as que estão presentes nas obras de Van Gogh ou Monet.

Estas tempestades também são as responsáveis pela formação ''gráfica'' mais marcante do planeta: a ''grande mancha vermelha'', que nada mais é do que uma tempestade anticiclônica três vezes maior do que o nosso planeta Terra.

A sonda Juno foi enviada ao espaço pela NASA em 2011 e passou a registrar imagens de Júpiter desde o ano passado. Estas imagens - entre outros dados coletados pela sonda - contribuirão para vários estudos a respeito da composição do planeta e do sistema solar.

Mas o mais impressionante de tudo isso é perceber o quanto o nosso Universo é, ainda, o maior artista de todos.