Na história da filosofia as escolas filosóficas são proporcionais aos filósofos, isto é, existem tantas escolas quanto existem filósofos. Algumas escolas deixaram importantes contribuições para a história do pensamento ocidental, outras, nem tanto. Neste artigo, vamos abordar três delas, o epicurismo, o racionalismo e o existencialismo, destacando suas contribuições para o campo pedagógico.

Antes, porém, faz necessário esclarecer que no começo da filosofia a palavra “escola” significava “ideia”, “movimento”, “algo não fixo”.

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Por exemplo, a escola pitagórica era a “escola” dos que se identificavam com as ideias de Pitágoras, fundador dessa escola. Este filósofo costumava dizer para quem o procurava: “Quem gosta de matemática seja bem vido. Quem não gosta favor procurar outro ambiente para aprender. Aqui se ensina matemática”.

Por outro lado, à escola enquanto CNPJ, isto é, enquanto instituição, só aparece na Idade Média com a Igreja [VIDEO].

Nesse período, os padres eram os professores, pois só eles sabiam ler e escrever. Os padres “ensinavam” na missa por meio da homilia, do sermão.

A igreja era à única instituição credenciada para ensinar, pois possuía em seus quadros padres e bispos preparados religiosa e intelectualmente para à docência. Dessa forma, a escola conforme conhecemos hoje surge nesse contexto, nas catedrais e conventos. “Da Igreja para o mundo” – diziam os padres professores. Desse contexto, vai nascer, também, às primeiras universidades.

1. Epicurismo

O epicurismo foi uma escola filosófica que surgiu em Atenas no ano 307 a.C e ensinava a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade, isto é, uma filosofia do prazer. No entanto, não é qualquer prazer; é o prazer da harmonia, da paz, da tranquilidade, da “ausência de sofrimento”.

Segundo o criador do epicurismo, o filósofo ateniense Epicuro, devemos distinguir o essencial do necessário para encontrar a felicidade, buscar a saúde do corpo, para atingir a saúde da alma, considerando sem sentido as angústias em relação à morte, e a preocupação com o destino.

Assim, o seguidor dessa filosofia deve procurar evitar a dor e as perturbações, levar uma vida longe das multidões, porém não solitário, dos luxos excessivos, se colocando em harmonia com a natureza e desfrutando da paz. A filosofia epicurista é a ética dos nossos dias, por isso o homem deve colocá-la em prática, se quiser ser feliz [VIDEO].

2. Existencialismo

O existencialismo foi uma escola filosófica que surgiu e se desenvolveu na Europa entre as duas guerras mundiais (1918-1939), e é caracterizada por centrar a sua análise na existência como realidade individual mundana. Ou seja, para o existencialismo o homem existe enquanto tal e é na existência que o homem deve encontrar o princípio para a resolução de todos os problemas.

Os principais filósofos existencialistas foram Kierkegaard, Heidegger, Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Merleau-Ponty e Karl Jaspers. Costuma-se dividir o existencialismo em ateu e cristão. O principal filósofo do existencialismo ateu foi Sartre e do existencialismo cristão foi Heidegger.

De toda forma, o existencialismo é a preocupação voltada para a existência do homem, do homem enquanto homem e não do homem enquanto ideia. O homem jogado no cotidiano. Animal racional, emocional, espiritual, metafísico, transcendental, frágil etc., que faz de tudo, se preciso for mata, rouba, suborna, trafica, para sobreviver, para perpetuar a própria família, o próprio nome, a própria espécie. O existencialismo é a filosofia que ninguém escapa.

3. Fenomenologia

A fenomenologia foi uma escola filosófica que surgiu no pós-guerra e se propagou pela Europa no final do século XX. Originariamente, fenomenologia é uma palavra que vem do grego e é composta de duas partes: a primeira significa: “fenômeno”, isto é, aquilo que se mostra, que aparece a nós, que aparece a nós primeiramente pelos sentidos e a segunda “logia”, isto é, capacidade de refletir, um discurso esclarecedor.

A fenomenologia, portanto, é uma atitude de reflexão do fenômeno que se mostra para nós, na relação que estabelecemos com os outros, no mundo [VIDEO]. O conceito e o termo foram criados pelo matemático, cientista, pesquisador e professor Edmund Husserl (1859-1938). Diferente da psicologia, que se põe a estudar os fatos psíquicos, a fenomenologia busca extrair a essência desses fatos. Alguns pensadores que se utilizaram da teoria fenomenológica foram Scheler, Levinas, Marcuse, Heidegger, Sartre, Ricoeur, Merleau-Ponty e tantos outros.