A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, de Borda da Mata, Minas Gerais – Brasil, é um verdadeiro monumento artístico que caracteriza a cidade e representa o orgulho de todos os bordamatenses.

Localizada no coração da cidade, atrai visitantes e bordamatenses, não apenas para admirá-la, mas também para prestar seu culto de louvor a Deus e manifestar sua devoção à Maria, a Virgem do Carmo.

A construção desta Igreja foi um pedido de D. Otávio Chagas de Miranda, ao Padre Pedro Cintra (Monsenhor Pedro Cintra, hoje já falecido) quando de sua designação para esta Paróquia, em Setembro de 1.947.

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Obediente, o Pároco deu início aos trabalhos preparatórios à construção do templo que viria a ter uma grande importância artística, religiosa e turística na região.

Enquanto se arrecadava o dinheiro, o pároco deu andamento no projeto arquitetônico.

O arquiteto indicado foi o Sr. José Sacchetti, que já havia projetado outras Igrejas. A obra foi projetada em estilo Romano-Lombardo, um estilo clássico, pois o arquiteto tinha em mente que “o que é moderno passa, o clássico fica”. O projetista, atendendo o desejo dos bordamatenses, de que a nova Matriz deveria ser construída na praça central da cidade, esmerou-se em apresentar a fachada posterior da Igreja com elegância e arte. E o fez admiravelmente bem, é uma obra digna de admiração pois seu estilo lembra os castelos medievais. O projeto foi executado rigorosamente e a obra apresenta um conjunto muito agradável, embora simples.

O executor da obra foi o Sr. Rogério Gissoni, muito experiente e capacitado. Era um ótimo desenhista. Caprichosamente, desenhava todos os detalhes para serem executados pelo mestre de obras, Sr.

José Firmo Werneck, a quem se deve a perfeita execução dos trabalhos em alvenaria.

O mestre de obras em carpintaria foi o Sr. José Augusto, legítimo artista na madeira. Era português de nascimento.

A parte de escultura foi entregue ao competente escultor e desenhista espanhol, Sr. Celestino Roiz Artigas, a quem coube também a tarefa de executar toda ornamentação interna e externa da Igreja. A sua dedicação foi muito grande e importante. Mesmo aquelas peças artísticas que não podiam ser confeccionadas por ele, por não serem sua especialidade, foram, entretanto, por ele desenhadas com muito carinho, pois além de escultor, era também exímio desenhista. O acabamento primoroso e a harmonia do conjunto se devem a este grande artista, vindo da Espanha, em boa hora, para assumir os trabalhos de escultura da nova Matriz. Coube também ao Sr. Artigas a tarefa de projetar os três portões de ferro, da capela do Santíssimo Sacramento, do Batistério e da Capela do Calvário. Eles representam outra grande obra de arte do famoso escultor.

No início do ano de 1951 foi possível marcar o dia da bênção da pedra fundamental da nova Matriz de Nossa Senhora do Carmo - o terceiro templo dedicado a Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata - seria o dia 16 de julho, data em que se comemorava, naquele ano, sete séculos da entrega do Escapulário do Carmo por Nossa Senhora a São Simão Stock.

A construção, que teve seu início no dia 16 de julho de 1951, foi solenemente concluída e inaugurada em 16 de julho de 1958. Foram sete anos em que o povo de Borda da Mata, movido pelo entusiasmo de seu pároco, colaborou ativamente em todos os movimentos para arrecadação de fundos que pudessem custear, sem interrupção, a tão sonhada construção de sua nova Matriz. Considerando que Borda da Mata, na época, era uma cidade pequena e pobre, foi uma construção realizada com uma rapidez que ninguém esperava. Até o tempo conspirou a favor da construção da nova Matriz. Durante os sete anos de trabalhos, a construção não foi interrompida um dia sequer por motivo de chuvas. No verão, chovia durante a noite. Durante o dia, o tempo sempre permitiu o trabalho e os operários jamais perderam uma hora de serviço por motivo de chuva.

Toda a construção foi acompanhada por fervorosas orações, incluindo uma pequena prece, especialmente preparada e impressa pelo pároco para o bom êxito da obra. Era rezada diariamente com o povo, após a recitação do terço, à tarde.

A imagem de Nossa Senhora do Carmo, que fica no alto da torre, foi modelada pelo Sr. Celestino Roiz Artigas, , primeiramente em argila de onde foram tirados os moldes, em cimento e em diversas peças, que foram transferidas à torre e aí montada a Imagem. Os anjos da fachadas laterais obedeceram ao mesmo processo para serem confeccionados.

Toda a parte de serralheria e de ferragem ornamental foi entregue ao Sr.Antônio Bianchesi, da cidade de Itapira, cujos trabalhos artísticos estão presentes nas portas laterais e principal, dentre outros locais da Igreja.

Os lustres e braços de luz foram desenhados pelo Sr. Artigas e executados em ferro batido, em São Paulo. Os bancos, confessionários e portas da Igreja foram construídos em Borda da Mata pelos irmãos Francisco e Sebastião Arlindo dos Santos, de acordo com os desenhos e orientações do Sr. Artigas. Foram executados três modelos de bancos até se chegar ao modelo ideal sob o ponto de vista da comodidade dos fiéis.

Os vitrais artísticos foram fabricados pela firma de Conrado Sargemicht, o primeiro fabricante de vitrais artísticos no Brasil. Na época, eram os maiores artistas no assunto. Em cores claras e vivas, estes vitrais atraem a admiração e agradam a vista. Os vitrais artísticos da Igreja Matriz de Borda da Mata constituem riqueza fabulosa em catequese, arte e valor financeiro. Pe. Luiz Gonzaga da Silveira D’Elbeux, sacerdote jesuíta e escritor, passando alguns dias em Borda da Mata, ajudando em trabalhos pastorais, passava horas observando e admirando as riquezas artísticas e doutrinárias dos nossos vitrais. Com exceção dos vitrais da Capela do Santíssimo Sacramento ou Capela do Sagrado Coração de Jesus, os da Sacristia e os óculos do presbitério, todos os outros vitrais tem como motivos Nossa Senhora.

As pinturas artísticas são de autoria do Sr. José Peres de Moraes, pintor espanhol, residente no Brasil. O pintor é mestre no pincel. Soube copiar com maestria os quadros contidos nos livros que lhe foram apresentados.

Processo de elevação ao título de Basílica

Em Maio de 2002, o Pe. Edson Oriolo procurou o Sr. Arcebispo, D. Ricardo Pedro, para elevar a Igreja Matriz à Santuário. D. Ricardo disse ao Pe. Edson porque não elevá-la à Basílica uma vez que na Arquidiocese já existiam alguns santuários (inclusive um próximo a nós, em Monte Sião) e ainda não havia uma Basílica, sendo que seria a primeira e única, visto que numa Diocese só pode haver uma Basílica. Pe. Edson alegou que é um processo complexo, longo (demorado) e até um tanto dispendioso. D. Ricardo o entusiasmou dizendo que ele podia contar com a sua ajuda na parte que lhe coubesse.

Em 31 de Maio de 2002, D. Ricardo fez o anúncio do Processo aos fiéis em geral, em uma Missa celebrada em nossa Matriz (Era o dia da Festa da Visitação de Nossa Senhora).

Em 16 de Julho do mesmo ano, foi entregue ao Sr Arcebispo, na Missa Solene da Festa da Padroeira, o Processo montado para que ele levasse a Roma, por ocasião de sua visita ad limina ao Papa. Ele o levou pessoalmente (sem intermediários ou via Correios).

No início do ano seguinte (2003), a Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos enviou para a Arquidiocese uma carta (ofício) pedindo maiores informações - inclusive comprovadas por fotos – sobre a Igreja, principalmente quanto ao espaço do Presbitério e à vitalidade religiosa da Paróquia e uma “Carta de Recomendação” da CNBB, aprovando tal processo e o apoiando. Enviados esses anexos, o processo continuou sua tramitação na Congregação do Culto Divino.

Todo o povo acompanhou com suas orações o Processo, rezando pelo seu êxito. Neste ano, após obter informações sobre o andamento do processo em Roma e sua conclusão dependendo apenas da aprovação do Papa, D. Ricardo foi a Roma e, pessoalmente, resolveu o que faltava, trazendo-nos o título de Basílica Menor. Ele ligou para a Paróquia no início da tarde do dia 3 de Novembro de 2005 e comunicou o nosso Pároco, Pe. Edson, sobre a aprovação do processo.

Os sinos da Matriz repicaram por um longo tempo, tocou-se música e avisou-se os fiéis da boa notícia. A cidade vibrou de alegria por tão sonhada e esperada conquista.

A assinatura do Breve Pontifício (Documento da Concessão do Título) se deu em 16 de Novembro (Providencial ou coincidentemente, dia da emancipação político-administrativa de Borda da Mata, em 1924) e a Instalação da mesma em 8 de Dezembro de 2005 (Outra feliz coincidência ou providência - Dia do aniversário de ordenação sacerdotal de Mons. Pedro Cintra, o idealizador da Basílica). D. Ricardo Pedro, como Legado Pontifício, presidiu a Cerimônia, que foi concelebrada pelo Pároco e primeiro Reitor, Pe. Edson Oriolo, todo o clero da Arquidiocese e vários sacerdotes de outras Dioceses bem como alguns sacerdotes Carmelitas.

Sendo assim, a Basílica, única na Arquidiocese de Pouso Alegre, assim como outras Basílica de nosso Brasil e outras Igrejas vem desempenhando sua missão de evangelizar. Você que agora lê este artigo está convidado a vir conhecer esta Igreja, que está sempre de braços abertos para lhe receber. Que Maria, Mãe do Carmelo, abençoe você e toda a sua família. "Acolhe-nos Maria, em Tua casa, acolhe-nos Ó Mãe em teu amor".