Principalmente para os pais de primeira viagem, presenciar uma crise de tosse de um bebê [VIDEO] pode ser muito desesperador. Além da sensação de impotência diante do sofrimento do filho, a exaustão após uma noite em claro devido a tosse pode minar as forças do casal. Mas, nada de desespero. Saber identificar a gravidade da situação facilitará na hora de tratar o problema adequadamente.

De antemão, vale ressaltar que, em casos mais graves, levar o bebê ao médico ou solicitar o serviço de emergência, é a melhor decisão a ser tomada. Dificuldade de respirar em momentos que o bebê não está tossindo, febre alta persistente, prostração e pele azulada em torno da boca, são sinais claros de que o atendimento profissional é necessário com urgência.

Porém, a maioria dos casos de tosse em bebês, possui um motivo bem menos preocupante, o resfriado comum. Resultante de infecções virais, a maior parte dos resfriados não requer medicação alguma. Trata-se de uma enfermidade auto-limitada, que independentemente do uso de remédios, dura de cinco a sete dias.

Se o bebê tem momentos de febre e tosse intensa, mas na maioria do tempo sorri, brinca e não deixa de beber líquidos, então é provável que ele só tenha um resfriado comum. Apesar de ser de baixa gravidade, o desconforto gerado pode ser muito grande para os pequenos, principalmente pela intensidade e frequência das crises de tosse.

Alguns produtos disponíveis nas farmácias prometem o alívio da tosse, mas, segundo especialistas, medicamentos populares no tratamento da tosse, como xaropes, não possuem indícios científicos suficientes que justifiquem o seu uso.

Esperar a doença seguir sua evolução natural e evitar o uso de medicamentos é uma tarefa difícil de ser aceita no momento em que os sintomas de um resfriado causam tosse intensa em uma criança. Porém, em vários países, uma mudança de mentalidade nesse sentido está acontecendo.

No Canadá, por exemplo, a maioria dos medicamentos que prometiam aliviar o problema já foram retirados das farmácias. E, apesar de alguma resistência, a população já está aceitando melhor essa condição. Segundo especialistas, como o pediatra Dennis Scolnik, professor da Universidade de Toronto, uma criança com resfriado só precisará de medicação caso seja necessário diminuir a febre.

No Brasil, a conscientização dos pais sobre o tratamento de um resfriado sem medicamentos é um desafio. Muitos condicionam a visita ao médico, nessas situações, a prescrição de algum antibiótico [VIDEO]. E, quando isso não ocorre, acabam procurando outro profissional.

Se não há remédios eficazes cientificamente para tratar a tosse de resfriado, o que os médicos indicam para combater os sintomas nos bebês? Segundo Fátima Rodrigues Fernandes, pediatra e alergologista do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, oferecer líquidos, para manter a hidratação constante do bebê é muito importante.

Para bebês que possuem menos de 6 meses, e que só se alimentem de leite, o aumento na oferta no período da doença é muito benéfica.

Além disso, a Pediatra recomenda que se pingue soro fisiológico no nariz do bebê. Ao manter as narinas hidratadas, os cílios nasais conseguirão expulsar as partículas nocivas que ficam grudam na região e causam desconforto.

Estratégias popularmente adotadas, como o uso de umidificadores e a ingestão de mel, devem ser tratadas com cuidado. No caso dos umidificadores, o excesso de umidade pode ser prejudicial em famílias de alérgicos, pois facilita a proliferação de ácaros e mofo no ambiente. Já o mel não deve ser consumido por crianças menores de 1 ano devido ao risco de botulismo, uma doença neurológica grave causada por uma bactéria.

Apesar do resfriado ser o principal responsável pela tosse em bebês, deve-se ficar atento também para não confundir um simples resfriado com outras doenças mais graves. A asma e a bronquiolite, por exemplo, também causam tosse, mas devem ser tratadas com um cuidado bem maior.