Há 68 anos, no dia 16 de julho de 1950, o Brasil era derrotado pelo Uruguai [VIDEO]em pleno Maracanã, nosso estádio que fora construído justamente para o Mundial desse ano.

Muito já se falou sobre a lendária e inesquecível partida, e até hoje procuram-se explicações, bodes expiatórios e desculpas sobre por que a Seleção deixou escapar esse título, que seria a primeira oportunidade do Brasil mostrar ao mundo que seria o melhor em alguma coisa. Mas todas as testemunhas oculares dessa história – dentro das quatro linhas – já não estão mais entre nós para contá-la. Sobraram livros e alguns arquivos de mídia, mas de fontes certas.

A Seleção Brasileira era considerada a favorita, mesmo com a participação da Inglaterra, o país inventor do futebol.

No entanto, no confronto com os EUA, num tempo muito distante da época em que Pelé incentivou a prática do “soccer”, os britânicos foram derrotados pelos americanos, formando a primeira “zebra [VIDEO]” da história dos Mundiais.

O clima de "já ganhou"

O Brasil estava invicto, e vinha de duas goleadas arrasadoras de 7 x 1 sobre a Suécia e de 6 x 1 na Espanha, ambas as partidas em pleno Maracanã, enquanto que o Uruguai empatara em 2 x 2 com a Espanha e ganhara da Suécia com um apertado placar de 3 x 2. O pensamento era um só: a Seleção Brasileira era a favorita e ninguém lhe tiraria o título.

Atuando dentro de casa, com o calor de sua torcida, possuindo craques fantásticos e com essa campanha fenomenal, a imprensa brasileira já estampava em seus jornais o perigoso e traiçoeiro clima de “já ganhou”.

Essa foi a primeira das armadilhas das Copas do Mundo que capturaram as opiniões dos analistas de futebol.

Mas os uruguaios pisaram no gramado do Maracanã com os brios à flor da pele e dispostos a provar o contrário do que a imprensa pregava. O empate favorecia o Brasil, e apesar da nossa Seleção ter inaugurado o placar aos 2 minutos do segundo tempo através do atacante Friaça, os celestes não se intimidaram e conseguiram a virada com os gols de Juan Schiaffino aos 21 minutos e Ghiggia aos 34.

Tristeza em todo país

Parecia inacreditável, mas os uruguaios venceram a partida e se tornaram bicampeões mundiais. O povo brasileiro sentia uma tristeza profunda, semelhante à morte do Presidente Getúlio Vargas quatro anos depois, e em seguida foram à caça às bruxas, apontando os culpados pelo revés. O êxito da Seleção Uruguaia foi denominado pelos mesmos de “Maracanazo”.

Segundo a biografia de Pelé (Pelé - A Autobiografia), então um menino de 9 anos, ao ver seu pai em prantos após a vitória celeste, a qual acompanhara pelo rádio, comoveu-se e prometera ao mesmo que um dia ganharia uma Copa do Mundo para ele.

O escritor Ruy Castro conta no livro "Estela Solitária" que o adolescente Garrincha, que fora pescar na hora da partida, esquecendo-se completamente de acompanha-la pelos alto-falantes do rádio montados em Pau Grande, sua cidade natal, quando voltou e soube o porquê do choro de seus conterrâneos, nem deu importância ao fato. Oito anos depois, esses dois ajudaram o Brasil a vencer sua primeira Copa do Mundo, na Suécia.

A partir de 1958 o Brasil tornara-se a grande potência futebolística mundial, profecia de Flávio Costa, técnico dos heróis de 1950, que considerou o “Maracanazo” uma sofrida, mas inteligentemente aprendida lição. Podemos considerar que, graças à derrota de 1950, hoje somos Pentacampeões mundiais de futebol.

Súmula

Brasil 1 x 2 Uruguai

Data: 16 de julho de 1950

Local: Estádio Mário Filho – Maracanã, Rio de Janeiro

Juiz: George Reader (Inglaterra)

Brasil: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Técnico: Flávio Costa

Uruguai: Máspoli, Tejera e Gambeta; Mathias Gonzalez, Obdulio Varella e Rodríguez Andrade; Ghiggia, Míguez, Julio Pérez, Schiaffino e Morán. Técnico: Juan Lopez

Gols: Friaça, aos 2 minutos; Schiaffino aos 21 e Ghiggia aos 34, todos no segundo tempo.