A capital da Indonésia, Jacarta, com cerca de 10 milhões de habitantes, está literalmente afundando a cada dia, e em uma proporção jamais vista em nenhuma outra região do mundo. E, segundo estudiosos, certas localidades da metrópole irão terminar completamente submersas, daqui pouco mais de 30 anos, se nada for feito agora.

Jacarta foi erguida em cima de um pântano, é cercada pelo Mar de Java e seu terreno é cortado por 13 rios. Com isso, é fácil deduzir que a cidade já sofra bastante com frequentes inundações. Porém, especialistas afirmam que a situação está ficando cada vez pior.

A média de afundamento do solo em Jacarta é cerca de duas vezes maior que a média de outras grandes cidades costeiras.

Atualmente, cerca de metade da cidade já se encontra abaixo do nível do mar. E nos últimos 10 anos Jacarta afundou em torno de dois metros e meio, ou seja, ela "desce" cerca de 25 centímetros a cada ano.

Um distrito, localizado na parte norte da cidade, já apresenta os resultado do afundamento do solo. Um prédio empresarial da região está quase totalmente inutilizado pela água e foi abandonado pela companhia de pesca que atuava no local.

A região norte de Jacarta possui um dos portos mais utilizados da Indonésia, o Tanjung Priok. Localizado no encontro do rio Ciliwung com o Mar de Java, o local é um ponto estratégico para o comércio marítimo do país. Com quase 2 milhões de habitantes, o local possui uma população dividida entre moradores muito pobres e muito ricos.

Onde o afundamento do solo não é visível, principalmente na parte rica, as rachaduras em várias partes das casas e mansões já dão o sinal do que está por vir.

É comum a constante movimentação de funcionários da construção civil que trabalham na manutenção dessas residências.

Na parte pobre, à beira-mar, o impacto do afundamento da terra fica muito mais visível. A visão do mar foi substituída por muros de contenção que tentam evitar que o mar invada de vez o local. Segundo um pescador, a cada ano a maré tem aumentado em 5 centímetros.

Motivos do problema

De acordo com o pesquisador [VIDEO] do Instituto de Tecnologia de Bandung, Heri Andreas, que trabalha a duas décadas com o afundamento do solo da capital da Indonésia, o problema da metrópole não se refere somente as constantes enchentes.

A retirada sem controle de água das partes subterrâneas de Jacarta, para ser usada como água potável e para tarefas cotidianas, é o principal motivo da velocidade alarmante com que a cidade afunda. A distribuição por encanamentos atingi poucas regiões da cidade, além de serem pouco confiáveis. Com isso, a solução é bombear a água presente nos aquíferos localizados no local.

Devido as leis e fiscalizações falhas, qualquer pessoa pode realizar a extração de água sem muitos problemas. Porém, ao ter a água bombeada para fora, o terreno acima do aquífero acaba cedendo, como se houvesse uma imensa bola vazia abaixo dele.

Os habitantes da região afirmam que não possuem outra escolha já que os governantes não conseguem suprir as necessidades da população. Segundo especialistas, as autoridades de Jacarta, responsáveis pela distribuição de água, só são capazes de atender cerca de 40% da demanda.

Em maio deste ano, a prefeitura vistoriou 80 edifícios no centro da cidade, repleto de arranha-céus, shoppings e hotéis. E acabou descobrindo que 56 deles possuíam uma bomba de água subterrânea independente no local, sendo que 33 ainda extraíam a água de forma ilegal [VIDEO].