Ela é pequena em seu tamanho, mais ou menos dois centímetros de diâmetro, porém uma espécie de água-viva denominada Turritopsis nutricula vem despertando a atenção de cientistas. O que ambos têm em comum? A água-viva teria uma propriedade que muitos humanos gostariam de ter e que sempre foi aclamada e lembrada através dos tempos: a imortalidade.

Tema de algumas histórias [VIDEO] e lendas como o elixir da longa vida [VIDEO] ou pertencente ao imaginário mitológico grego, onde os deuses se gabam e brincam conosco por causa de nossa mortalidade, este curioso bicho é, por enquanto, um caso único de regeneração celular, contrariando a ação do tempo.

Descoberta

Há duas versões para a constatação da imortalidade da Turritopsis: a primeira delas veio com um estudante alemão que passava férias na Riviera Italiana. Decidiu aliar o descanso com o estudo e capturou algumas espécies, entre elas, a referida medusa. Colocou-a num laboratório e resolveu observá-la por alguns dias. Ele ficou estarrecido quando percebeu que a água-viva não morria. Num estudo mais aprofundado, constatou que a Turritopsis fazia o caminho inverso: envelhecia e se reinventava, chegando às primeiras fases de sua vida, o que corresponderia à nossa infância.

A segunda versão vem de um pesquisador japonês. Certa vez encontrou uma água-viva na região sul de seu país. Ela estava ferida e cheia de espinhos. O pesquisador fez o gesto de arrancar todos eles do bicho. Após isso, ele observou que as feridas logo cicatrizavam e que a água-viva voltava a ser jovem.

Ele repetiu esse tipo de experiência por mais vezes e concluiu que o animal tinha o poder de voltar ao seu estágio jovem de vida, diante de sua capacidade constante de regeneração celular.

'Mas, contudo, porém...'

É bom frisar que a água-viva não é eterna, ou seja, ela possui predadores naturais e que, portanto, tem sua vida encurtada, finita. Na ausência deles, não existe dúvida de que ela desafie o fluxo natural do tempo, como nós, frágeis humanos conhecemos e padecemos.

Ou seja, se nós pudéssemos ter essa propriedade, seria como regressar à época da meninice ou da adolescência, por exemplo.

Espalhada

O melhor disso tudo é que essa fórmula da juventude se expande ao longo do mundo. Os cientistas afirmam que a Turritopsis é originária do Caribe. Em função do tráfego de navios nessa região, esses Animais “pegavam carona” no lastro das embarcações, o que favoreceu o aparecimento delas em diversas regiões mundiais.

Conhecida e descrita por um zoólogo francês do século XIX, essa capacidade de se regenerar atraiu a atenção dos pesquisadores somente no final do século XX. Mas muitos deles admitem: ainda é cedo para descobrir e decifrar essa ‘mágica’. Mais difícil ainda será aplicar essa ‘mágica’ em outros seres vivos.

A esperança dos cientistas é que a Turritopsis auxilie na criação de novas técnicas de reconstrução genética e de permitir a habilidade de regeneração de células, tecidos e órgãos do corpo humano.