A utilização de fezes de animais, o esterco, é muito conhecida na agricultura como um meio barato, sustentável e eficaz para a fertilização do solo. Entretanto, uma empreendedora [VIDEO] holandesa, Jalila Essaidi, criou uma startup onde a função desse resíduo animal, especificamente de bovinos, foi completamente transformada. A Mestic, foi criada com a finalidade de produzir roupas e tecidos a partir do cocô de vacas.

Segundo a empresa, os resíduos produzidos pelas vacas, de aspecto repugnante para quase todas as pessoas, possuem fibras com grande utilidade na produção de tecidos mais sustentáveis.

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Para a Mestic, a principal função da empresa é desconstruir essa imagem negativa da sua matéria-prima, mostrando para os clientes a "beleza oculta" do material e o quão benéfica sua utilização pode ser para o Meio Ambiente.

Jalila Essaidi, conta que a composição do esterco é rica em água, cerca de 80%, e em celulose, 20%, oriunda dos vegetais ingeridos pelas vacas. Durante o processo de fabricação, a parte seca do material, composto basicamente pelas fibras, é separada da água. Da parte líquida, retiram-se solventes que serão adicionados, junto com outros produtos químicos, a parte sólida dos resíduos a fim de transformá-la em tecido.

Algo que pode ser muito questionado pelos possíveis interessados na tecnologia, baseando-se na matéria-prima, refere-se ao cheiro final do produto. E, segundo pessoas que participaram de um experimento realizado por uma TV holandesa, não havia nada nesse sentido que as fizessem não utilizar as roupas produzidas pela startup.

Questão ambiental

Um problema enfrentado por vários países europeus referem-se a destinação dada ao esterco produzido pelas vacas.

A legislação da União Europeia impõe limites quanto a utilização deste material para a fertilização do solo, visando diminuir a poluição causada pelo produto aos rios. E, na Holanda, esse fato se agrava pela grande presença de criação bovina existente, havendo vários relatos de fraudes.

Segundo a agência governamental holandesa que trata do assunto, entre 30% a 40% das mais de 76 milhões de toneladas de esterco produzidas por ano no país, acabam destinadas ao mercado de lixo ilegal, comercializados ou jogados na terra na calada da noite para evitar punições do governo.

Estes problemas enfrentados na Holanda torna a inovação [VIDEO] ainda mais importante e reconhecida nacional e internacionalmente. Em maio deste ano, a startup holandesa ficou com a segunda colocação na competição mundial de empreendedorismo social "The Venture", organizada pela multinacional Pernod Ricard.