A Tapeçaria de Bayeux tem mais de nove séculos de idade. Este imenso tapete bordado, datado do século XI, retrata a conquista normanda da Inglaterra por Guilherme II da Normandia - também conhecido por Guilherme, o Conquistador - com destaque para a Batalha de Hastings, que ocorreu em 14 de outubro de 1066.

Após mais de 900 anos, a tapeçaria segue bem conservada. Mais do que isso: ainda surpreende os estudiosos de arte. Isso porque apesar de já terem sido alvo de diversas análises ao longo dos anos, os bordados acabam de ser observados por um novo prisma.

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George Garnett, professor de História Medieval da Universidade de Oxford, acaba de trazer a tona algo que até então havia passado despercebido na peça: a imensa quantidade de órgãos sexuais masculinos que existem entre as figuras das 626 pessoas e dos 190 cavalos retratados na tapeçaria: são 93 falos, sendo 88 de cavalos, enquanto os demais são 5 humanos.

E se isso lembrou você da época da escola, durante a qual os meninos divertiam-se fazendo desenhos explícitos e mostrando-os uns aos outros, saiba que pode haver mais motivos para essa profusão de falos na tapeçaria de Bayeux do que a imaturidade de seus autores.

É o que sugere o também professor Andrew Lear, qua já ministrou aulas nas Universidades de Columbia e Harvard. Lear trabalha atualmente na organização de excursões voltadas a história da arte, sobretudo na história homossexual e acredita que, naquele tempo, desenhar falos não soasse nenhum pouco imaturo; para ele essas representações repetidas do órgão sexual masculino na tapeçaria de Bayeux possuem um significado mais amplo.

Exaltação da virilidade

Você deve estar se perguntando: ''se não foi uma piada digna dos alunos da quinta série, qual a razão para existirem tantos pênis retratados na tapeçaria?''

Os estudiosos perceberam que existe uma lógica por trás das imagens dos falos contidos na peça: os cavalos de Guilherme, o Conquistador, e do rei anglo-saxão Haroldo possuem os maiores órgãos sexuais.

Em um de seus textos, publicado pelo Historyextra, o professor Garnett aponta que, provavelmente, a virilidade dos protagonistas da obra está refletida no tamanho dos órgãos sexuais de suas montarias. Já que Guilherme II da Normandia deveria ser o destaque da peça como um todo, também o pênis de seu cavalo deveria demonstrar seu protagonismo naquela batalha.

Agora pare para pensar: atualmente, mais de 900 anos após a confecção da tapeçaria de Bayeux, parece que nossa sociedade não mudou tanto assim: ainda é comum que o tamanho do órgão sexual masculino seja associado à força e ao poder, pelo menos na nossa cultura.

Para os gregos, o homem que fosse retratado com seu órgão sexual em proporções menores era aquele que tinha autocontrole - este associado ao poder - uma vez que priorizava o uso da razão ao invés de agir de acordo com os instintos.

Já nas artes eróticas [VIDEO] japonesas, as proporções utilizadas nas representações fálicas são sempre exageradas, embora estas não demonstrem ter relação com o poder, a força ou a autoridade.