A situação para a Petrobras se complica a cada dia, e destavez, o anúncio feito ontem (29), declarou a possibilidade de acionistas nãoterem seus dividendos pagos. A avaliação financeira da companhia vem sendotratada com muita cautela, e a parcela de lucro que é distribuída entre osacionistas pode ser prejudicada.

Essa foi a possibilidade levantada por Almir Barbassa,diretor financeiro da estatal, que ainda ressaltou que mesmo que haja lucrosreferentes a consolidação dos resultados de 2014, existe a possibilidade do nãopagamento dos dividendos, constituindo assim uma reserva especial com estelucro.

Contudo, esta possibilidade não é confirmada, uma vez que qualquerdecisão sobre o pagamento ou não de dividendos deverá sofrer aprovação doConselho Fiscal e da Administração da Companhia.

Graça Foster, presidente da Petrobras, comentou a alta nos preços do combustível dopaís, e disse que mesmo estes estando acima dos praticados no exterior,continuam sendo mantidos. A companhia perdeu parte do market share(participação de mercado) e já vê uma breve concorrência em que outrascompanhias possam estar se inserindo com essas altas nos preços.

A elevação dosvalores dos combustíveis é importante para o caixa da companhia.

Nesta quarta-feira (28) a Petrobras divulgou o balanço doterceiro trimestres de 2014, mas nos relatórios não constavam as baixas tidas pelacompanhia ocasionada pela corrupção. Os valores mostraram que, comparativamenteao trimestre anterior, a companhia teve uma queda de 38% no seu lucro,revelando que no terceiro trimestre a estatal teve um lucro bruto de R$ 3,087bilhões.

O mercado estava esperando ansiosamente pelo balanço dac

ompanhia, na intenção de poder ver o que representava em números asinformações decorrentes das denúncias sobre a corrupção, mas a companhia frustrou omercado, não divulgando tais informações.

A presidente da Petrobras ressaltou que as contas auditadas serão divulgadas em breve, contudo, não deu detalhes nem prazos dequando seria. As perdas referentes à corrupção podem representarmuito mais do que os cálculos preliminares feitos, e o andamento dasinvestigações será fator chave para estes números.

A Petrobrás, além das investigações referentes à corrupção,sofre também com a queda das suas ações no mercado e com dificuldades de caixa.Contudo, Graça Foster afirmou que o caixa da companhia não é afetado por estesajustes decorrentes da corrupção.

Outro ponto que também não é afetado é a geraçãooperacional, que, segundo Foster, não possui qualquer tipo de influência dosajustes que deverão ser feitos decorrentes da corrupção.

O valor apresentado e que indicava que seria necessária umabaixa contábil nos ativos da companhia foi de R$ 88,6 bilhões, valores que seenquadram na operação Lava Jato ligadas à corrupção. Contudo, esse valorapresentado na terça-feira (27) durante a reunião do Conselho da Petrobras nãoautorizou que a metodologia do valor justo fosse empregada para ajustar osativos imobilizados ocasionados pelas baixas, pois os ajustes que seriamrealizados não teriam relação direta com pagamentos indevidos.

De 1 a 3 anos é o tempo estimado para que os valores devidosà corrupção sejam totalmente ajustados e integrados nos balanços da companhia.

A Petrobras supõe que este ano não deva realizar captaçãode novos recursos, devido ao fechamento de caixa ser aferido entre US$ 8bilhões e US$ 12 bilhões - isso gerou uma baixa de 25% em investimentosprevistos no plano de Negócios da companhia.

O custo aproximado da Operação Lava Jato chega a R$ 150 milhões,em torno de investigações, auditorias e apoio jurídico.

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