Afundado em uma crise financeira quese agrava a cada gestão, o estado do Rio Grande do Sul se esforça para estimular a arrecadação e incutir mudanças estruturais em suamáquina pública. No entanto, a dificuldade em obter êxito nocontrole das despesas pode pesar no bolso do funcionalismo.

Na semana passada, ganhou força apossibilidade do governador José Ivo Sartori (PMDB) autorizar oparcelamento dos salários de servidores do Executivo já para o mêsde julho.

Sem ter de onde tirar recursos, o Estado previa umpagamento de no máximo R$ 2 mil por matrícula até o dia 31. Orestante dos vencimentos seriam pagos somente entre 20 e 25 deagosto.

Para se ter uma real dimensão dotamanho da crise enfrentada, o RS teria que, mais uma vez, retardar opagamento de sua parcela da dívida com a União, que já vem sendoempurrada desde o mês de abril. Toda essa manobra estaria dentro doplanejamento de pagar no máximo R$ 2 mil por servidor em julho,admitindo e pondo em prática oficialmente o parcelamento dossalários.

Só que da mesma forma que essasolução ganhava força entre os corredores do prédio da Secretariada Fazenda do Estado, ela despertava revolta em diversas categoriasde servidores públicos que, em represália, não hesitaram emameaçar paralisação geral caso o parcelamento fosse mantido. AFederação Sindical dos Servidores Públicos no Estado (Fessergs) jáconvocou uma assembleia englobando funcionários de todas as áreaspara o dia 18 de agosto, e poderá ser antecipada se o Governoinsistir em parcelar salários.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Governo Política

“Nósestamos aguardando um posicionamento oficial do governo. A lei obrigao pagamento até o último dia do mês, e a autoridade máxima nãopode descumprir. O governo parece querer instalar um clima de caos.Estamos já voltados a tomar medidas nas esferas jurídica, Políticae mobilizatória. Há indicativo de greve”, informou SérgioArnoud, presidente da Fessergs.

Acuado, o governo não teve outra saída e teve quedar uma satisfação aos seus próprios servidores – temerosos comrelação ao destino dos vencimentos do final do mês.

Contudo, anota oficial divulgada por José Ivo Sartori no mesmo dia dasdeclarações de Arnoud não é conclusiva com relação ao que seráfeito já para julho. O governador não confirma o parcelamento. Masnão nega.

“OEstado não confirma quaisquer informações sobre o parcelamento dossalários do funcionalismo público. Os levantamentos divulgados nãopodem ser considerados oficiais. Como tem sido feito desde o iníciode trabalho da atual equipe de governo, nós daremos aos gaúchos,com total transparência, todas as decisões que venham a serrealizadas”, diz a nota.

Crítico do governo anterior, Sartori também usa depósitos judiciais

O recurso oriundo ds depósitosjudiciais, que motivou inúmeras críticas do então candidato JoséIvo Sartori ao seu oponente Tarso Genro (PT) durante a campanhaeleitoral, é o que tem tirado a água do pescoço dos peemedebistas.O crescimento do saldo desses depósitos está auxiliando a equipeeconômica do governo a quitar dívidas importantes, como a própriafolha salarial.

Em junho, a média do valor dosdepósitos cresceu para R$ 80 milhões, superando os habituais R$ 60milhões. No governo anterior, conduzido pelo petista Tarso Genro, osaque desse depósito foi realizado constantemente como forma decustear despesas importantes do Estado.

Embora tenha sido um crítico ferrenhodessa prática durante a campanha eleitoral, o atual governador JoséIvo Sartori abre mão da coerência e vai até o limite possível dosaque do saldo, que é de 85%.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo