A inadimplência no Brasil já atinge a marca de 59 milhões de pessoas. A afirmação foi feita pela Associação Nacional de Birôs de Créditos (ANBC), fundada em 2015 com o objetivo de reunir empresas deste tipo de segmento, além de economistas de crédito e financiamento. Ainda de acordo com as informações divulgadas nesta semana pela ANBC, a inadimplência no país somente seve recuar daqui a dois anos, em 2017.

A entidade aponta como causas para esta constatação, o prolongamento da resseção, o aumento do desemprego e a deterioração constante dos indicadores da economia no Brasil.

Além disso, segundo economistas, a possível abertura do processo de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), na Câmara dos Deputados, já interfere negativamente nos setores econômicos do país, o que prolonga a crise por ainda mais tempo.

Por estarem inadimplentes, os 59 milhões de brasileiros estão com o CPF (Cadastro de Pessoas Físicas), bloqueados e com o “nome sujo na praça”, como popularmente é dito no país. A consequência disto, para estas pessoas, é não poder obter mais crédito até “limparem” seus nomes.

Como consta no relatório divulgado à imprensa pela ANBC, se somados todos os valores de dívidas destes inadimplentes, o total seria, neste mês de dezembro, R$ 255 bilhões.

Segundo a Serasa Experian, empresa ligada a ANBC, este valor atual da dívida, somada entre todos os devedores no Brasil, é quase 10 bilhões a mais do que o valor que foi obtido há quatro meses, em agosto deste ano, o que evidencia o quanto os brasileiros continuam se endividando, em um ritmo cada vez mais acelerado.

Ainda de acordo com a Serasa, o tempo das dívidas dos brasileiros tem média entre 30 e 60 dias, e, a maior parte delas, está ligada a bancos, sobretudo, com relação a financiamentos de automóveis e imóveis, mas também a contas domésticas, como: energia, água, telefone (fixo e móvel), internet, TV por assinatura, etc. Além disso, a entidade de crédito afirma que dívidas com o varejo estão hoje entre as que mais crescem no país.

“O desemprego é o maior vilão dessa história”, diz economista

Dentre os motivos já citados para o aumento da inadimplência no país, o desemprego é um dos mais agravantes. Para o economista Adriano Fonseca, a falta de empregos, inclusive, é a principal causadora do aumento das dívidas dos brasileiros. “A pessoa não deixa de consumir porque perdeu o emprego. Ela continua consumindo água, luz, telefone, internet, dentre outros consumos.

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Se ela não trabalha, não gera renda para ela. Por conta disso, fica difícil quitar o que é obrigada a pagar”, explica Fonseca.

“O desemprego é o maior vilão dessa história. Isso porque, quanto mais tempo a pessoa fica sem trabalho, mas ela acumula dívida. Até porque, existem prioridades. Como o dinheiro está curto, e quase sempre não dá para pagar tudo, as famílias optam em quitar umas dívidas e deixar acumular outras”, diz.

“Tem gente que prefere pagar logo a água e a luz, e deixa cortar a internet e a TV a cabo, para pagar só quando puder. Outros preferem pagar logo a dívida com o banco por causa dos juros, e se endividam com a conta do telefone. E por assim vai. Se a oferta de emprego estivesse em alta no país, haveria a possibilidade das pessoas terem uma renda segura para distribuírem melhor seus débitos e, com isso, evitarem a inadimplência”, conclui o economista.

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