Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, em entrevista ao periódico português Diário de Notícias, apesar de haver uma mudança em determinadaspráticas a partir do consumo colaborativo, as pessoas ainda mantêm o mesmo desejo de sempre: consumir tanto quanto puderem.

Para ele, sites e aplicativos como Uber e Airbnb não promovem uma mudança no consumo, mesmo representando dinâmicas novas. “Agora, quando alguém aluga um táxi pela Uber, ou usa uma companhia low-cost, é para continuar no consumo sob outra forma, mais barata”, afirma.

É por essa via que o pensador considera não ter havido uma mudança no pensamento dos consumidores, mas, sim, uma manutenção dos mesmo ideais e aspirações anteriores quanto ao consumo.

No fundo, o que as pessoas estão fazendo, afirma Lipovetsky, é apenas encontrar “novas formas de aproveitar o consumo mais barato”, e não mudar de modo significativo a relação com o que consomem, algo que se torna complicadoemuma “sociedade do hiperconsumo [que] não cessa de criar novas necessidades e novas formas de satisfação”.Diante disso, a ascensão do consumo colaborativo seria apenas um meio para manter o consumo exacerbado,mesmoem um períodode recessão.

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