O que a princípio pode parecer uma grande piada, lamentavelmente nesse caso não é, ou seja, os produtores brasileiros de feijão não foram capazes de suportar a concorrência indireta dos porcos da China. Como assim? É sabido que mais de metade de todos os suínos em nível mundial se alimenta de milhões e milhões de toneladas do nutritivo farelo de soja anualmente. Consequentemente os agricultores do Brasil que se dedicam tradicionalmente à cultura do feijão, optam cada vez mais por produzir a soja em todo hectare disponível, inclusive onde eram plantados anteriormente os grãos de feijão, com os novos campos de soja se estendendo das regiões no Centro-Oeste do país até a extremidade Sul do território, os pampas.

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O cenário não é nada animador, uma vez que o alimento preferido pela maior parte da população brasileira está com a oferta decrescendo mais e mais, contribuindo para a duplicação do preço do feijão no transcurso dos últimos 12 meses, o que associado a uma série de outros fatores, faz com que a temida inflação volte a se manifestar com mais intensidade no mercado do Brasil.

Como se não bastasse a crise referente à oferta e preço do feijão, o país enfrenta o seu pior quadro de recessão dos últimos 100 anos, surgindo a todo momento casos de corrupção no ambiente político-empresarial, conferindo a sensação de uma crise complexa e sem fim junto à sociedade brasileira.

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Vale frisar de que embora ocupe a mídia com destaque nas últimas semanas, o feijão não é uma vítima isolada do conflito gerado pelo enfrentamento dos alimentos destinados ao abastecimento do mercado interno ou de commodities direcionadas ao exterior. É o caso, por exemplo, do açúcar, que atingiu preços astronômicos, mesmo com o Brasil sendo o maior produtor no mundo. Outro exemplo está no frango, pois os processadores do animal, por causa da redução de milho para ração, acabaram restringindo também a elaboração da ave como alimento.

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Lincoln Campello, produtor de soja, disse à imprensa que os agricultores em geral “correm para a segurança”, mesmo tendo como ironia que Campello tenha plantado feijão em seus 870 hectares no estado Paraná por quase 30 anos, à exceção dos últimos três anos.

As lavouras de 33,2 milhões de hectares de soja no Brasil tem tamanho superior a de países como a Itália. Já o cultivo das áreas de feijão retrocedeu aproximadamente 30% em um período de 10 anos.

Mesmo com os ganhos de produtividade sobre as regiões produtoras de feijão, isso por si só não foi capaz de suprir o abastecimento da nação em 2016.

Enfim, 1 quilo do grão chega a custar uma média de R$ 15,00 ou US$ 4,45 no mercado varejista, contrapondo-se aos R$ 5,00 de meses recentes. O governo brasileiro decidiu por suspender os impostos sobre a importação do produto oriunda da China e Argentina até o mês de novembro.

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Segundo o presidente do Ibrafe - Instituto Brasileiro do Feijão, Marcelo Lüders, está vindo um carregamento de feijão dos EUA, o que não acontecia nos últimos 20 anos. Só em 2016, Lüders avalia que a importação pode chegar a 300.000 toneladas e que os preços do produto “não vão cair enquanto a oferta não aumentar de novo”.

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