África do Sul, China, Coreia do Sul, Chile e os países que compõem a União Europeia decidiram suspender temporariamente a compra de carnes produzidas no Brasil, após a divulgação dos resultados da Operação Carne Fraca, que detectou um esquema de "maquiagem" de produtos para burlar a fiscalização sanitária.

A suspensão das importações por alguns dos principais parceiros comerciais do Brasil pode trazer sérios prejuízos ao agronegócio brasileiro, principalmente ao setor de produção, abate e processamento de carnes de origem animal.

Os países da União Europeia exigiram do Brasil a suspensão temporária das exportações das empresas que estão envolvidas nas denúncias feitas pela Polícia Federal.

Já a Coreia do Sul deverá intensificar as ações de fiscalização da carne de frango importada do Brasil.

O país anunciou a suspensão temporária da compra de produtos da BRF, conglomerado que inclui marcas como Perdigão e Sadia.

Na China, as suspensões servem como precaução, segundo informou a Agência Reuters. Todos os produtos do setor que chegarem ao país ficarão retidos nos portos.

No Chile, o embargo está relacionado à carne bovina e deverá ser mantido até que a situação seja esclarecida pelos frigoríficos que mantêm transações comerciais com o país e pelo governo brasileiro.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento emitiu uma nota informando que prestará todos os esclarecimentos necessários aos países que suspenderam as importações.

Indústria teme colapso

De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), a comercialização de carnes para a China, Coreia do Sul e países da União Europeia responde por 27,8% do total de exportações do setor, atingindo US$ 3,67 bilhões em 2016.

Os empresários do setor temem que os problemas causados por um número reduzido de frigoríficos prejudiquem a atividade de toda a cadeia de atividades de toda a indústria.

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Por meio de nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) ressaltou que nenhuma das fábricas de carne bovina de seus 29 associados está citada nas denúncias citadas na operação Carne Fraca, da Polícia Federal. "Os casos que vieram a público por meio da Operação Carne Fraca são isolados e não representam a imensa cadeia produtiva de carne bovina no Brasil", diz um dos trechos do documento.

A instituição afirma que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e os produtos exportados são reconhecidos pela qualidade e status sanitário. "A Associação repudia veementemente a adoção de práticas que não condizem com a garantia da qualidade do produto nacional e da credibilidade da indústria brasileira", prossegue a nota expedida pela ABIEC.