A projeção de crescimento do PIB em 2017 foi revisada de 0,5% para 0,7%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (21). A revisão positiva decorre principalmente do crescimento de 0,2% no segundo trimestre, superior à mediana das expectativas do mercado.

Segundo o relatório, a projeção reflete principalmente a revisão positiva para o crescimento do setor agropecuário revisado de 9,6% para 12,1%, principalmente devido às safras de soja, arroz e milho, que devem crescer 19,6%, 16,2% e 54,7%, respectivamente, no ano.

Foram revisadas as expectativas para atividade industrial (de + 0,3% para -0,6%), setor de serviços (+0,1%, ante o recuo 0,1% previsto no relatório de inflação anterior). O crescimento para as atividades do comércio, (+1,2 p.p.) e de transporte, armazenagem e correio (+0,9 p.p.), refletem, principalmente, os resultados favoráveis desses segmentos no segundo trimestre, influenciados pela expansão do consumo e pelo melhor dinamismo da produção fabril, segundo o relatório.

Já a estimativa para o crescimento do produto da indústria de transformação (0,6%) manteve-se inalterada em relação ao último Relatório.

Previsões para Inflação

A projeção a curto prazo de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro deve se manter semelhante à registrada em agosto, devido ao aumento das tarifas elétricas pelo uso da bandeira amarela, elevando a taxa do trimestre encerrado em novembro (1,05%) em comparação com o mesmo período de 2016 (0,52%). Contudo, outros fatores devem levar a inflação ao valor mínimo de 2,5% no terceiro trimestre.

Levando em conta as expectativas da pesquisa Focus (que desde junho alterou a projeção de dólar de R$3,30/US$ para R$3,20/US$ para o fim 2017, de R$3,40/US$ para R$3,30/US$ para o final de 2018; e cortou a projeção da Selic* de 8,5% para 7,0 em 2017 e 2018), o relatório de inflação projeta a variação dos preços administrados em 7,4% (ante 5,9% no relatório anterior) e para 2018 em 5,2% (ante 5,4% no relatório anterior).

Para 2019 a projeção de inflação de preços administrados é de 4,3% e para 2020 é de 4,2%.

Neste contexto, a inflação deve atingir o valor mínimo de 2,5% no terceiro trimestre de 2017 e reverterá para cerca de 3,2% no final do ano (bem abaixo da atual meta nacional de 4,5% ao ano). Isso ocorre, sobretudo, devido à queda dos preços de alimentos observada desde 2016. Em 2018, a taxa deve encerrar em torno dos 4,3%, e em 2019, 4,2%.

Segundo o BC, este cenário depende das considerações sobre as reformas fiscais e ajustes necessários na economia, e os efeitos disto sobre as projeções são refletidos do grau de incerteza, flutuações nos preços dos ativos no mercado, na taxa de juros e também na pesquisa focus.

A Política fiscal também influencia as projeções condicionais de inflação por meio de impulsos sobre a demanda agregada*.

Inflação em cenários de juros e câmbios constantes

No cenário híbrido, que utiliza a projeção da taxa Selic da pesquisa Focus, mas é condicionado em uma taxa de câmbio constante em R$3,10/US$ durante todo o horizonte de previsão, a expectativa de inflação para 2017 também gira em torno de 3,2%, enquanto em 2018, a projeção é de 4,1%, menor do que o cenário anterior devido ao câmbio constante - no outro modelo, o câmbio utilizado era o da pesquisa Focus, que projeta depreciação gradual ao longo dos últimos meses de 2017 e ao longo de 2018.

Para 2019 e 2020, a projeção para a inflação é de cerca de 3,9%, também menores do que no outro cenário.

Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) considere este cenário "menos informativo" devido à constante flexibilização da política monetária praticada nos encontros do comitê, ele é disponibilizado por uma questão de transparência do banco.

No cenário considerando taxas de juros e câmbio constantes, o BC projeta a inflação em torno de 3,2% em 2017 e 3,8% em 2018. "A projeção para 2017 é semelhante à do cenário anterior tendo em vista que o impacto da política monetária sobre a inflação é menor em horizontes mais curtos", diz o relatório.

Já o cenário híbrido com taxa de câmbio da pesquisa Focus e taxa Selic constante, a projeção de inflação é de aproximadamente 3,2% em 2017 e 4,1% em 2018.

Em 2018 a taxa é maior em função da trajetória com depreciação cambial que consta na pesquisa Focus. "Quando comparado ao cenário que utiliza trajetórias extraídas da pesquisa Focus tanto para a Selic como para o câmbio, esse cenário implica juro real mais elevado e, assim, inflação mais baixa", diz um trecho do relatório. Por isso as projeções nesse cenário para 2019 e 2020, ambas em 4,0%, são mais elevadas que no cenário com Selic e câmbio constantes.

Ainda que o relatório tenha ressaltado que a economia tem dado sinais de recuperação e que o Copom entende que a conjuntura econômica dita a política monetária estimulativa (com taxas de juros abaixo da estrutural), acredita-se que as reformas na área do crédito e ajustes econômicos contribuíram para a queda dos juros estruturais, sobre as quais as estimativas são constantemente reavaliadas pelo Comitê.

Para a próxima reunião, o BC espera uma redução menor do que 1,0 ponto percentual da taxa Selic, como ocorreu nas últimas reuniões do Copom. Atualmente, a taxa se encontra em 8,5%.* Selic: taxa básica de juros definida pelo Comitê de Política Monetária* Demanda Agregada: é a soma do consumo de bens finais por parte das pessoas, os bens comprados pelas empresas para ampliar a capacidade de produção, as compras do Governo e as exportações, que podem ser para consumo ou investimento.

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