O Índice de Confiança do comércio (Icom) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aumentou 6,8 pontos em setembro após quatro quedas consecutivas. Com 89,2 pontos, o indicador chegou ao patamar mais alto desde abril (89,1 pontos), e superou em 8,9 pontos a marca do ano passado, quando atingiu 79,4 pontos na série dessazonalizada. Os resultados foram divulgados na Sondagem do Comércio pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV (IBRE-FGV)

"O resultado de setembro sugere a retomada da tendência de alta virtuosa da confiança com melhora gradual da percepção sobre a situação presente e otimismo moderado em relação aos meses seguintes”, disse Aloisio Campelo Jr., superintendente de Estatísticas Públicas da FGV Ibre, em nota no relatório.

A alta do Icom se deu de forma disseminada nos 13 segmentos pesquisados, com melhora tanto das expectativas quanto das avaliações sobre a situação atual. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) teve alta 6,5 pontos, atingindo 83,9 pontos, maior patamar desde janeiro de 2015 (87,4 pontos). O Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 7,0 pontos (95,1 pontos), retornando ao nível de abril de 2017 (quando atingiu a marca 95,8 pontos).

Embora o Icom tenha saltado para uma recuperação em setembro, sua média no terceiro trimestre ficou 2,8 pontos abaixo da média do trimestre anterior, devido aos baixos desempenhos registrados em julho e agosto. O resultado rompeu a sequência de alta que vinha sendo registrada nos últimos seis trimestres da pesquisa. No segundo trimestre de 2017, o índice havia subido 5,5 pontos em relação ao primeiro do ano.

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Lava Jato

As médias trimestrais do IE-COM e do ISA-COM também caíram: o IE-COM recuou 3,8 pontos depois de ter saltado 4,8 pontos nos dois primeiros trimestres do ano, e o ISA-COM retraiu em 1,6 ponto, depois de ter acumulado 13,0 pontos de expansão no primeiro semestre.

Queda dos meses anteriores foi reflexo da crise política

Nos meses de maio a agosto, o índice vinha apresentando quedas de 0,5 ponto (maio), 2,9 pontos (junho), 2,3 pontos (julho) e 1,0 ponto (agosto), para finalmente apresentar uma variação positiva em setembro, com alta de 6,8 pontos.

Para Campelo, a queda se devia à incerteza gerada com a crise política gerada no governo em maio, quando as investigações da Operação Lava Jato atingiram o presidente Michel Temer e outros membros do Executivo.

Embora as investigações continuem, a percepção atual do mercado em relação à economia tem se descolado da crise política, dado o otimismo registrado no boletim Focus, que prevê taxas de inflação cada vez menores e vem revisando o PIB (Produto Interno Bruto) para cima.

A própria FGV, em outro relatório, revisou sua expectativa de PIB para 0,8% e considera uma boa notícia o otimismo do mercado apesar da crise política, fato que vem se ajudando na melhora recente dos índices de confiança do mercado. Para Campelo, o tempo de preocupação "já passou".

“A queda da confiança nos meses anteriores havia refletido o aumento da incerteza com a crise política de maio, e mais recentemente, a preocupação coma sustentação das vendas após o fim do período de liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

O bom resultado de setembro mostra que este momento já passou e o setor retoma a tendência de alta da confiança que vinha apresentando nos primeiros meses do ano”, explica Campelo.

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