O comércio varejista brasileiro registrou variação de 0,0% em relação a junho, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice havia acumulado alta de 2,2% em três meses consecutivos de expansão na série com o ajuste sazonal, mas ainda assim o patamar das vendas do mês de julho de 2017 está 8,7% abaixo do nível recorde alcançado em novembro de 2014, segundo o instituto.

Na comparação com o mesmo mês em 2016, o crescimento foi de 3,1%, puxado principalmente pelo crescimento positivo nas áreas de tecidos, vestuário e calçados (15,5%) e móveis e eletrodomésticos (12,7%).

Isto contribuiu para uma desaceleração da queda do indicador (acumulado em -2,3% nos últimos 12 meses), que começou em outubro do ano passado (com redução de 6,8%).

Outros resultados citados na pesquisa foram atribuídos às vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,4%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%); materiais de escritório, informática e comunicação (11,6%); e livros, mídias impressas e papelaria (0,2%). Já o setor de combustíveis e lubrificantes apresentou redução de 0,9%, trazendo a queda acumulada nos últimos 12 meses para 5,4%.

Na comparação por estados, 16 das 27 Unidades da Federação registraram crescimento nas vendas do varejo em julho, com destaque para Amazonas (3,0%), Santa Catarina (2,4%) e Roraima (2,2%), enquanto a pior redução foi vista em Tocantins (-5,3%).

O destaque na comparação com o mesmo mês do ano passado de 2016 foi percebido em Santa Catarina (14,2%) e Alagoas (10,3%). Foram registrados aumentos em 20 das 27 Unidades da Federação.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui vendas de veículos, motos, partes e peças e de material de construção registrou expansão de 0,2% no volume de vendas em relação ao mês anterior (série com ajuste), e foram observados crescimentos em 23 estados, com destaque para Santa Catarina (16%), Amazonas (15,2%) e Rio Grande do Sul (13,3%). O índice foi pressionado pela redução em 0,8% das vendas de veículos, motos, partes e peças, e pelo aumento de 0,9% das vendas do grupo materiais de construção.

Já na comparação com julho de 2016, o crescimento do varejo ampliado foi de 5,7%, enquanto no intervalo de 12 meses a redução acumulada foi de 2,8%. No acumulado do ano de 2017, o varejo ampliado apresentou aumento de 1,1%.

Destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo

Embora as vendas de móveis e eletrodomésticos e livros, mídia impressa e papelaria tenham registrado crescimento nulo na comparação mês a mês, os setores de destaque com expansão positiva no período foram hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (com variação de 0,7% frente ao mês anterior e 0,3% frente a julho de 2016), seguido por tecidos, vestuário e calçados (0,3%), e por materiais de escritório, informática e comunicação (4,4%).

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Segundo o IBGE, o desempenho positivo no grupo hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo deveu-se principalmente ao "avanço da massa salarial real, além do comportamento dos preços do grupo alimentação no domicílio que evoluíram abaixo índice geral", diz o relatório. As taxas foram foram de -0,5% de janeiro a julho de 2017 e de -1,7% para os últimos 12 meses.

As restrições orçamentárias das famílias frente à valorização dos produtos de papelaria - cuja alta acumulada em 12 meses foi acima do índice geral de preços - explicam em parte a desaceleração deste subitem, segundo o IBGE.

A pesquisa também aponta a crescente substituição de produtos impressos pelo suporte eletrônico como um fator de impacto na venda de livros, jornais e revistas. O subgrupo de mídia impressa e papelaria registra queda acumulada de 8,1% nas vendas nos últimos 12 meses.

Do ponto de vista da pressão negativa, o indicador teve a alta apagada por conta da pior performance nos setores de combustíveis e lubrificantes (-1,6%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,2%).

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