Se não tiver um plano bem definido, uma Startup, ou uma empresa que tenha crescido muito rapidamente, acaba perdendo facilmente o controle sobre os seus colaboradores e a sua própria cultura. Nesses casos, a empresa pode acabar se tornando algo bem diferente daquilo que era desejado no início.

Em todos os casos, o mais importante é que sempre se dialogue com os colaboradores, para saber o que deve ser mantido e o que pode ser melhorado. Nunca se esquecendo do velho ditado: “a tropa é o espelho do comandante”.

Em outras palavras, se querem ver mudanças, os gestores devem ser os primeiros a dar o exemplo.

1. Experiência x millennials

As gerações mais velhas costumam reclamar que os jovens são preguiçosos, carentes de atenção e viciados em aparelhos celulares. O que acontece, na verdade, é que os mais novos testemunharam os seus pais sacrificando suas vidas em favor da carreira e não querem repetir o mesmo erro.

Carlos Dominguez é presidente da americana Sprinklr, gestora de redes sociais. Ele recomenda que as #Empresas se adaptem à urgência dos millennials, para extrair deles o melhor que podem oferecer.

Segundo Dominguez, o que precisa haver é uma comunicação melhor entre as gerações. Para ele, uma grande vantagem dos millenials é o fato de terem sido educados para que buscassem mais informação e se tornassem mais questionadores e pensadores livres.

“Eles sabem tudo. Ao menos, eles acham que sabem. Se você não concorda, considere que o problema pode simplesmente estar no significado da palavra saber.

Para esta geração, saber algo é o mesmo que ter acesso a isso. Eles pensam: 'porque devo memorizar esta frase quando eu posso procurá-la a qualquer momento?", escreve.

Por isso, uma boa forma de valorizar um millennial é deixá-lo ser o primeiro a adotar um software ou gadget novo da empresa. Ele não tem medo de inovações tecnológicas e serve como público-teste para algo que se esteja querendo implementar.

Para os millenials, trabalho e casa muitas vezes se misturam — o que os tornou mais dinâmicos. “Eles esperam que seus empregos sejam tão flexíveis quanto eles (...) Se você quer atrair e manter Millenials, você tem que deixá-los trabalhar em seus próprios termos.”, completa Dominguez.

2. Lucro x felicidade

Claro que, para que qualquer empresa sobreviva, não dá para se esquecer da necessidade de lucrar.

Porém, isso não significa que a felicidade dos colaboradores deve ser deixada de lado.

Marcio Fernandes é o CEO da distribuidora de energia Elektro, autor do livro "Felicidade dá Lucro" e ganhador do prêmio Great Place to Work (GPTW). Quando começou a fazer pesquisas de satisfação no trabalho, em 2004, a Elektro tinha uma aprovação de 69%.

Fernandes relata ainda que era difícil conseguir pessoas que não tivessem medo de responder à pesquisa de clima.

Hoje em dia, a empresa mudou a forma de pensar e tem 99% de aprovação.

Como alcançar isso? Ele diz que o CEO deve ser acessível e ouvir o que o funcionário tem a dizer, mas não de uma forma dissimulada. “Acho lamentável um chefe ter que se disfarçar de funcionário, como fazem em alguns casos, para ter a experiência do dia a dia e ficar sabendo dos problemas. Eu adoro ser participativo. Gosto de estar com as pessoas, de ouvir pontos de vista independentemente do nível hierárquico de cada um”, ensina.

Normalmente, quem ocupa um cargo em uma área e deseja estar em outro, acaba guardando o desejo para si, com medo de demonstrar insatisfação com o trabalho.

O que Fernandes recomenda é que se forneça para essa pessoa um incentivo para que ela consiga o que deseja, dentro da própria empresa.

“Na filosofia de Gestão que implantei, ela deve falar sobre isso. Existe um diálogo franco, aberto, transparente. Todos sabem que a pessoa tem esse desejo. Incentivamos que ela não só conte, como documente essa vontade em um plano de desenvolvimento.”, reitera.

3. Autonomia x regras

Quanto maior for uma empresa, mais difícil é garantir que 100% dos colaboradores estejam realmente envolvidos com os objetivos desejados. Quanto mais gente, maior a diversidade de personalidades e funções.

Somente criando um senso comum é que uma cultura vai funcionar.

Vitor Peçanha é um dos fundadores da Rock Content, empresa especializada em marketing de conteúdo. A startup triplicou o tamanho no último ano e tem hoje mais de 200 funcionários e outros 20 mil colaboradores freelancers. Ele ensina como fazer para que todos tenham um pensamento unificado.

Para que dê certo, Peçanha recomenda a transparência com as pessoas que compõem o time. Para ele, se algo está errado, deve ser dito com clareza o que não está de acordo com a cultura da empresa.

“É importante investir no dia a dia, mantendo o colaborador motivado e o ambiente saudável.

Para isso, deve ser criado na empresa um espaço que permita a liberdade para a exposição de ideias e a tomada de iniciativas. Obviamente, essas atitudes devem estar de acordo com os pilares fundamentais da empresa”, ressalta.

Peçanha ainda diz que é preciso tolerar os pequenos erros. Além de servirem como aprendizado para que não se repitam, demonstram que o funcionário está arriscando algo fora da curva.

4. Crescimento rápido x desenvolvimento pessoal

O mercado atual procura cada vez mais pessoas que não façam somente as obrigações, mas sim a diferença no local onde trabalham. Para crescer, são importantes o engajamento, a visão global, a criatividade, a inovação e a flexibilidade dos colaboradores e gestores.

A LPM Global Relations, empresa especializada em coaching, utilizou a própria plataforma de processos estruturados para crescer. Para Sandra Dias, CEO da empresa, o crescimento empresarial e o desempenho individual devem ser alinhados através do treinamento de carreira.

O coaching é uma assessoria especializada externa que, através de um olhar crítico, visa melhorar os resultados. O processo ajuda nas estratégias de profissionais que buscam uma posição melhor, na atuação dos executivos em altos cargos e na performance da empresa com um todo.

Para isso, são usadas metodologias, ferramentas e técnicas comprovadas cientificamente para a avaliação de habilidades estratégicas e aptidões de performance.

Assim, é possível o aprimoramento, através do desenvolvimento de competências e conhecimentos.

Existem métodos específicos para a diretoria, para o relacionamento entre a diretoria e os departamentos da empresa, para a tomada de decisões dentro do segmento e para a estruturação de metas financeiras. “Nenhum executivo de visão trabalha mais sem assessoria especializada externa completa, onde trabalha o processo de coach como o comportamento interno e alavanca seus negócios”, afirma Dias.

5. Cultura x mudanças

Quem endossa a importância da cultura para uma empresa é Satya Nadella, CEO da Microsoft desde 2014.

Mesmo assim, quando chegou, Nadella provocou uma reviravolta na empresa, apontando tudo o que estava errado em uma cultura que ele julgou ser ultrapassada.“Nossa indústria não respeita a tradição, ela só respeita a inovação”, diz.

Apesar de a cultura ser formada por regras bem definidas, Nadella orienta a todos que sempre se questionem se os seus valores realmente são os ideais e se está indo na direção certa. Segundo ele, infelizmente, não dá para se acertar sempre.

Por isso, Nadella sugere que se deve aprender com os próprios erros e com os da concorrência, para que as tendências não passem sem que a empresa perceba.

Ainda assim, ele afirma que uma cultura bem definida é o legado de uma empresa e a chave fundamental para o sucesso.

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