Segundo boletim emitido pelo Ceper/Fundace (Centro de Pesquisa em Economia Regional/Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), os lares do Brasil estão mais cautelosos e se esforçam em fazer o dinheiro render ao longo do mês.

Um dos motivos para isso é a maior dificuldade de oferecimento de crédito na praça; sendo assim, a população evita comprar mais ou contrair dívidas de longo prazo. Isso gera a queda da inadimplência.

Tomando como base a relação entre endividamento/renda, o percentual divulgado pelo Banco Central para o mês de junho fechou em 41,62%, o menor desde janeiro de 2015.

Transportando esse dado para a realidade, significa que a cada 100 reais na mão do trabalhador, 41 reais (aproximadamente) estão reservados para pagamentos.

Os especialistas do Ceper/Fundace percebem que a queda do endividamento vem ocorrendo desde setembro de 2015, demonstrando a preferência escolhida pelas famílias em quitar as contas e aguardar/adiar o momento certo para contrair empréstimos ou aderir a financiamentos.

Crédito

O saldo da carteira de crédito das pessoas físicas e jurídicas também obteve queda, uma vez que esse quesito é um importante sinalizador do nível da atividade econômica para as empresas.

Porém, em junho, o saldo total permaneceu quase inalterado em relação a maio: R$ 3,08 trilhões.

De acordo com os economistas que assinaram o boletim, isso significa que, visto pelo ângulo do crédito, a economia não recuou; ficou estagnada. Não é o melhor dos cenários, mas, pelo menos, deixou de ir para trás.

As duas instituições fizeram uma análise regional dentro do estado de São Paulo e buscaram avaliar alguns itens contidos no crédito.

A priori, registrou-se uma caída generalizada em todos os itens consultados: operações de crédito, empréstimos e títulos descontados, financiamentos em geral e financiamento imobiliário.

A boa notícia é que houve leve crescimento no agronegócio das regiões de Campinas e Sertãozinho. Os números não são complacentes em relação aos outros temas; os financiamentos em geral obtiveram quedas expressivas em Sertãozinho (-41,4%), Franca (-41,3%) e Araraquara (-38,2%).

Empréstimos e títulos descontados seguiram a tendência com boa queda nas cidades de Sertãozinho (-29,1%), Franca (-26,8%) e Ribeirão Preto (-24,4%).

Análise e perspectiva

Um dos economistas afirma que o comportamento apresentado pelo estoque total de crédito indica que a economia vem passando por ajustes e que, apesar disso ser um processo penoso, é um passo importante para a retomada econômica.

Ele aponta que os baixos índices de inflação divulgados até agora e o corte na taxa de juros efetuado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) são elementos decisivos na oferta de crédito.

Com isso, haverá maior estímulo na demanda agregada, aquela proveniente das famílias e das empresas, determinando um ritmo tímido no segundo semestre de 2017.

A aposta do Ceper/Fundace é de que a demanda agregada será a mola propulsora da economia ao longo de 2018. E mais: eles visualizam que a economia vai crescer independente de qualquer cenário político que aconteça no ano que vem.

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