A pesquisa Desigualdade Mundial 2018, lançada em Paris, capital francesa, nesta quinta-feira, 14, liderada pelo economista Thomas Piketty, indicou que aproximadamente 30% da renda nacional está em posse de 1% dos brasileiros mais ricos. O período analisado foi de 2001 até 2015.

O relatório indicou que em 2015, 27% do dinheiro do Brasil estava com uma pequena parcela dos cidadãos, equivalente a 1%. Isso fazia do país um dos locais mais desiguais do Mundo.

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No ranking dos territórios contrastantes pela diferença na posse de renda entre ricos e pobres destacavam-se também outras nações: Rússia com 20%, Estados Unidos com 20%, China com 14% e Índia com 21%.

De acordo com os dados obtidos, o valor da renda cresceu para todas as classes, mas os ricos tiveram maior parcela desta evolução, e a continuidade do cenário tende a se agravar nos próximos anos. A pesquisa feita por Piketty, criador do livro que se tornou um best seller, “O Capital no Século 21”, e Lucas Chancel, coordenador do estudo ao lado dele, apontou que entre os 10% mais abastados do planeta, houve um crescimento do capital de 1980 a 2016.

Nos países mais ricos, a desigualdade evoluiu durante o período analisado. Na China subiu de 27% para 41%; na Rússia, de 21% para 46%; no Canadá, de 34% para 47%; mesmo resultado dos Estados Unidos, e na Europa, de 33% para 37%.

De 1980 para cá, a disparidade econômica cresceu em diversas regiões do globo. Com isso, África, Oriente Médio e América do Sul tiveram seus resultados ruins agravados.

Estes locais lideram a classificação do desnível social no mundo e concentram mais riquezas nas mãos dos 10% mais endinheirados: Oriente Médio com 61%, Brasil com 55%, Índia com 55% e África Subsaariana com 54%.

No Brasil, o estudo levou em conta resultados alcançados em outra pesquisa, feita por Mac Morgan, no mês de setembro. A investigação do irlandês indicou que a desigualdade brasileira é superior do que os números apresentados em relatórios anteriores, levando em consideração também o período de 2001 até 2015.

A receita total dos brasileiros subiu 18,3% nestes anos examinados, mas os 10% mais ricos ficaram com 60,7% deste valor, enquanto os mais pobres tiveram 17,6%. A faixa das pessoas com um ganho intermediário sofreu queda em seu orçamento de 34,4% para 32,4%.

Na perspectiva criada pelos estudiosos sobre o tema, a tendência, caso os resultados se mantenham expandindo, é que no ano de 2050 o patrimônio dos mais ricos do mundo suba de 33% para 39%. Já quem possui um ganho intermediário teria queda de 29% para 27% em seus recursos financeiros.