No dia 29 de dezembro, o presidente da República, Michel Temer, assinou o decreto que elevou o valor do Salário mínimo de R$ 937,00 para R$ 954,00 desde o dia 1º de janeiro de 2018, caracterizando um aumento de R$ 17,00 sobe salário mínimo [VIDEO] vigente até o último dia do ano de 2017, o que representa um aumento de 1,81%.

O reajuste contraria lei que determinou que seu aumento seria de 2,07%, medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que se utiliza do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Esse foi o segundo ano consecutivo em que o Governo se utiliza de índices menores que o da inflação para reajustar o salário mínimo, objetivando controlar os gastos públicos e conter a inflação.

Esse foi o menor aumento que o mínimo já teve nos últimos 24 anos.

Defasagem da renda com a depreciação do salário mínimo e falta de ocupação

A correção do salário mínimo em 2017 também ficou abaixo da inflação, embora com um índice percentual maior – 6,48%, e o INPC foi de 6,58%, ficando uma pequena perda de 0,1%. Os especialistas afirmam que o montante de fato que deixa de circular na economia brasileira devido ao achatamento do salário mínimo não é relevante, mas aponta o oportunismo do governo em tirar proveito da inflação baixa para tirar de onde não tem, e, na oportunidade, deixar de dar um ganho real ao mínimo.

O salário: mínimo 2 anos de estagnação

Acompanhe abaixo tabela com a evolução do valor do salário mínimo de 2012 a 2018:

Ano Valor -Vigência

2012 R$ 622,00 - 01/01/2012

2013 R$ 678,00 - 01/01/2013

2014 R$ 724,00 - 01/01/2014

2015 R$ 788,00 - 01/01/2015

2016 R$ 880,00 - 01/01/2016

2017 R$ 937,00 - 01/01/2014

2018 R$ 954,00 - 01/01/2018

Os descontos sociais a serem calculados

Mas para saber o valor do salário líquido 2018 é preciso deduzir os descontos advindos dos direitos trabalhistas que o cidadão terá que pagar.

Veja os principais:

1 - IR

2 – INSS 8% a 11%;

3 - Contribuição Sindical;

4 - Atrasos e faltas;

5 – Vale-transporte até 6%,

6- Assistência médica/odontológica;

7 - Pensão alimentícia.

De posse desses valores, subtraia de R$ 954,00 e o resultado será o valor líquido. A despeito da perda em relação ao salário mínimo, alguns benefícios tiveram seus valores aumentados, como:

  • Auxílio-doença
  • Seguro desemprego
  • 13º salário
  • Salário maternidade;
  • Reabilitação profissional.
  • Pensão por morte do trabalhador
  • Aposentadoria por idade, tempo de contribuição ou invalidez;

As contas são sempre pagas pelos os mais pobres

Com o mínimo sendo reajustado abaixo da inflação, os benefícios que estão ligados a ele também sofrem distorções, como é o exemplo do seguro desemprego. Fontes do Ministério do Trabalho informam que a maior parcela paga a partir de 11 de janeiro será de R$ 1.677,74, que embute um aumento de R$ 34,02 maior que o percebido até o último dia de 2017, o que, pelo INPC representa alta de 2,07%, mas que para valores menores é mantido o piso de R$ 954,00 para o seguro desemprego.

A conta sempre é paga pelos pobres. O custo básico de uma cesta básica é de R$ 425,00, e um salário de R$ 954,00 possibilita a compra de 2,24 cestas básicas. O Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas) observa que desde o ano de 1985 nenhum mínimo teve tanto poder de comprar tantas cestas básicas quanto o atual, e que isso se deve à queda dos preços dos alimentos.

No entanto, embora essa informação não possa ser contestada, os gastos das famílias não são apenas com alimentos. Segundo o Dieese, uma família constituída por quatro pessoas precisa, atualmente, de um salário de R$ 3.585,05, para cobrir todos os seus gastos básicos.