Que o Brasil está mergulhado em uma crise econômica e política sem precedentes, disso ninguém mais tem dúvidas; tanto é assim, que o exemplo triste da jovem Clécia Batista de apenas 28 anos de idade, ilustra bem o caos da economia brasileira principalmente para a população mais pobre do país.

Clécia mora apenas a 1.300 metros da sede político-administrativa da nação, que é Brasília, mas tem de se reinventar diariamente, cozinhando em um fogão a lenha no quintal do barraco feito de madeira, que é o lar dela, mais dois irmãos, a mãe e o seu filhinho.

No local são preparadas a comida de todos, onde uma lata de tinta suporta as panelas, como fogo alimentado por ripas encontradas em terrenos baldios próximos. Vale frisar de que Clécia tem um fogão de 6 bocas ao lado enferrujando, presente de um amigo, pois nunca foi usado.

Clécia e uma quantidade enorme de brasileiros têm de se valer dos fogões a lenha improvisados graças a Política econômica do presidente Michel Temer e sua trupe do Planalto Central que elevou por seis vezes consecutivas no ano passado, o preço do botijão de gás, ou seja, o maior aumento dos últimos 15 anos.

No Distrito Federal um botijão de cozinha já atingiu o patamar de R$ 90, representando para muitos assim como Clécia, um verdadeiro artigo de luxo.

Conforme informações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a média de variação do preço do botijão de 13kg, no mês passado atingiu a R$ 66,53 no Brasil, depois de uma alta de 16,39% se comparado ao mesmo período de tempo do ano de 2016, isentando-se a inflação.

Um pouco mais sobre Clécia e outros brasileiros pobres

A mulher de Brasília diz que nem mesmo se recorda quando foi a última vez que comprou um botijão; além do que, como a família não tem refrigerador, ela precisa consumir tudo o que cozinha na lenha no mesmo dia e até mesmo para que a lenha possa durar por mais tempo.

Clécia toma conta do filho do filho Vitor Luis Batista, que está com 8 meses e do humilde barraco; porém, a mãe com os dois irmãos da moça peregrinam pelas ruas em busca de latinhas de metal e garrafas PET, o que gera R$ 20, R$ 30 semanalmente para a família sobreviver.

Clécia diz que além de não poder comprar um botijão, ela não o fará, uma vez que tem medo de ser roubada.

O pior ainda pode acontecer, pois agora que Vitor Luis engatinha, o perigo é iminente de acidentes com queimaduras da criança junto ao fogão a lenha, além é claro, da fumaça que a criança e todos os adultos inalam no local.

O cidadão José Nascimento de 33 anos, ajudante de pedreiro, vive a 19 quilômetros do local de Clécia, em uma invasão no Setor de Chácaras Santa Luzia, na Estrutural, e se encontra no mesmo contexto social deplorável de Clécia.

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O rapaz está desempregado e tem de dar o de comer a mulher e três filhos, de 12, 11 e 1 ano e 7 meses, fazendo “bicos” e assim não sobra um tostão para comprar gás e teve que recorrer a um fogãozinho a lenha no chão, se utilizando de uma lata de tinta, onde há panelas suspensas.

Consequências no comércio

Não são só os pobres que reclamam com a elevação do custo do gás; entretanto, proprietários de estabelecimentos do setor de alimentos também questionam, como por exemplo, Luana, que é gerente de uma panificadora na Asa Sul, que fala que não tem como trocar os aparelhos a base de gás de sua linha de produção, só restando aumentar as despesas conforme oscila o valor do botijão, que parece ter virado símbolo de ostentação.

Revisão por parte das autoridades

No domingo de 7 de janeiro, a Petrobras disse que revisará a metodologia de aumento dos preços em relação ao gás de cozinha, depois que houve a disparada do produto em todo território nacional, chegando a subir em 70% para os distribuidores a partir de junho de 2017.

A Petrobras chegou a anunciar no dia 4 de janeiro que o último aumento no preço do botijão de gás de cozinha foi de 8,9%.

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