A imigração de venezuelanos para o Brasil, por meio da fronteira com Roraima, tem sido manchete e noticiada diariamente pelos principais meios de comunicação. Na visão de Eder Peña, membro do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas e analista político e social, isso é parte de uma campanha para desestabilizar o governo da Venezuela e obter ganhos econômicos para o governo brasileiro.

Em artigo no site venezuelano Misión Verdad, ele afirma que foi criada uma imigração artificial, induzida por setores da oposição e governos estrangeiros para gerar uma situação insustentável aos olhos da comunidade internacional, que justificasse, por fim, uma intervenção militar na Venezuela com o objetivo de derrubar Nicolás Maduro da presidência do país.

Ele cita campanhas propagandísticas veiculadas na TV, rádio e principalmente na Internet, que falam sobre supostos benefícios de emigrar para Brasil ou Colômbia, e que seriam impulsionadas por integrantes de partidos e organizações de oposição ao governo venezuelano.

Sua denúncia coincide com a do antropólogo e escritor venezuelano José Negrón Valera. Em artigo recente no site da agência de notícias Sputnik, Valera diz que a oposição a Maduro tem investido “enormes somas de dinheiro” para divulgar histórias de êxito de venezuelanos que saíram do país e que reforcem a ideia de emigrar.

“O chamado é a emigrar como única saída da crise política e econômica que se vive no país. O tom das mensagens que inundam as redes sociais, programas de televisão e de rádio, simplificam a complexa realidade através de um único culpado: Nicolás Maduro”, considera Valera.

Tal afirmação também é feita pelo governo venezuelano, que acusa União Europeia, EUA, Colômbia e Brasil de utilizarem os migrantes para justificar uma possível invasão militar na Venezuela sob o pretexto de que o país vive uma “crise humanitária”.

Sobre isso, destaca-se a observação do especialista independente das Nações Unidas, o acadêmico norte-americano Alfred de Zayas, que esteve no final de 2017 na Venezuela e relatou em entrevistas recentes que não existe uma crise humanitária no país. “No entanto, isso está sendo repetido e repetido, de modo que muitos pensam que, efetivamente, o país está a beira do desastre”, declarou o enviado da ONU ao canal Telesur.

Negócio bilionário” para o governo do Brasil

Eder Peña afirma que as medidas anunciadas pelo governo brasileiro a fim de reforçar a segurança e a assistência aos imigrantes têm a intenção de induzir mais venezuelanos a virem para o Brasil.

O autor do artigo também acusa os governos de Brasil e Colômbia de oferecerem serviços assistenciais aos venezuelanos que não são fornecidos a suas próprias populações, apenas para criar mais onda de imigrantes a fim de gerar uma crise de supostos “refugiados” e desestabilizar ainda mais o governo venezuelano.

Ao mesmo tempo, a alegada crise migratória serviria de pretexto para esses dois governos receberem ajuda financeira das Nações Unidas para enfrentar essa situação – especialmente o governo brasileiro, mergulhado em um déficit fiscal e uma crise política.

“Esses detalhes e sua sincronização desvelam o plano que há por trás da narrativa de crise humanitária: um negócio bilionário no qual estão entrando os governos de Brasil e Colômbia, aos quais não importam as vidas, tragédias ou dramas dos que decidem migrar devido à sabotagem econômica que impera sobre o país”, conclui Peña.

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