Diante da perspectiva de que grupos tradicionais, do mesmo setor, doravante enormes, se agigantem ainda mais, e pressionados pelas gigantes da tecnologia como Netflix, Apple e Amazon, as companhias que representam a mídia se sentem pressionadas a concluir que as empresas estão devorando umas às outras, e que quem não devorar será devorado.

Tais conclusões [VIDEO] são justificadas quando se observa empresas como a AT&T, que recentemente adquiriu a Time-Warner (somente aguarda a aprovação), e a recente oferta de US$ 66 bilhões da Disney pela maior parte dos ativos da empresa de Rupert Murdoch, a 21st Century Fox.

Busca por parcerias

Há alguns dias, as empresas de mídia de menor envergadura, como a Viacom e a CBS, entre outras, decidiram pautar novamente as negociações que haviam interrompido a 1 ano atrás, sobre uma possível união entre as mesmas.

A iniciativa renasce depois da revelação de que o empresário Murdoch pretende deixar o setor de entretenimento. A Verizon foi apontada como potencial compradora de ativos, como os da provedora de TV a cabo Charter ou da Fox. A questão da escala, entre outros, foi o que impulsionou o ciclo de transações do setor de mídia que é, em toda a história recente, o mais movimentado.

A crescente ascensão de empresas como a Amazon e a Netflix, que são pioneiros do streaming de vídeo, fragmentou as audiências, desordenando o Mundo da TV e afetou o faturamento publicitário. Enquanto os telespectadores assimilam as mudanças, os proprietários de redes de TV, como a Viacom e a CBS, se sentem expostos diante dos grandes distribuidores que se consolidam, enquanto adquirem provedores de conteúdo.

Durante os anos de 2000 a 2006, a Viacom e a CBS fizeram parte da mesma empresa.

A busca constante por espaços

O setor passa por mudanças significativas, e as empresas que estão no meio disso tudo, e que ainda não tem uma estratégia, correm o risco de ser engolidas pelas gigantes. Em 2014 A AT&T, que é mais conhecida como operadora de telefonia móvel, deixou claro a sua intenção de se aprofundar no setor de mídia, adquirindo, por US$ 48,5 bilhões, a DirecTV, operadora de TV via satélite. Dois anos depois, apostou ainda mais alto, ofertando US$ 85,4 bilhões para adquirir a Time Warner, que controla o estúdio de cinema Warner Bros, a HBO e a CNN, mas o governo Trump, invocando a legislação antitruste para tentar bloquear a transação, recorreu à Justiça, mérito que será ainda julgado em março.

Para enfrentar a crise é preciso superar divergências

Em 2016, a Viacom e a CBS discutiram uma possível união, com o objetivo de se fortalecer, frente aos desafios gerados pelas mudanças em curso no cenário do entretenimento e da mídia, mas tais discussões foram abandonadas, já que Les Moonves, o presidente-executivo da CBS, se opunhas a essa fusão.

No entanto, há alguns dias estavam de novo com essa pauta na mesa, o que reflete o medo de serem “engolidas”.

Netflix e Amazon, de olho nos telespectadores da televisão tradicional, investem pesado na busca por mais conteúdo. Enquanto isso, as gigantes Apple e Google possuem competência tecnológica e recursos financeiros suficientes para se sobrepor com tranquilidade os maiores gigantes da mídia convencional.