Desde 2013 o governo da Venezuela vem denunciando o que chama de uma “guerra econômica” implementada por setores empresariais nacionais e internacionais, a fim de desestabilizar o país e causar a queda do presidente Nicolás Maduro.

Um dos mecanismos dessa “guerra”, conforme diversas denúncias e flagrantes, é o armazenamento de produtos básicos de consumo diário por parte de supermercados e instalações comerciais, a fim de gerar uma impressão de desabastecimento devido às supostas políticas produtivas desastrosas do governo.

A partir de 2014, órgãos estatais, atendendo a denúncias da população, investigaram e localizaram galpões por todo o país com grandes estoques de produtos que se pensava que estavam em falta devido à queda na produção.

Um exemplo paradigmático foi a descoberta, em janeiro de 2015, de 423 toneladas de arroz, 360 toneladas de sabão e centenas de milhares de produtos como leite, farinha de milho, fraudas, detergentes, amaciantes, xampus e barbeadores. Eles estavam escondidos em galpões da empresa de distribuição Herrera S.A., no estado de Zulia.

Aumento ilegal de preços

Outra estratégia amplamente denunciada pelo governo, movimentos sociais e meios de comunicação é o aumento ilegal de preços das mercadorias por parte dos donos de supermercados e de comércios.

Segundo investigação realizada entre a metade de dezembro de 2017 e o início de janeiro de 2018 pela Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos (Sundde), empresas e comércios têm recorrido à remarcação de preços de produtos básicos na Venezuela.

De acordo com o relatório do órgão estatal, citado pela Agência Venezuelana de Notícias, o preço de mais de seis mil alimentos, medicamentos e produtos de higiene pessoal e doméstica aumentou em média 157%, “sem nenhuma justificativa ou alteração em sua estrutura de custos”.

Ainda segundo o estudo da Sundde, a subida nos preços chegou a ser de 10.902% em alguns casos. Uma lata de atum de 140 gramas, por exemplo, teve um aumento de preço de 756% e o valor de um pote de margarina de 500 gramas subiu 223%.

Sobre o grande aumento repentino dos produtos, o superintendente para os direitos socioeconômicos da Venezuela, William Contreras, afirmou que “há diferenças grosseiras, sobretudo em itens de produção nacional a cujos produtores são entregues matérias-primas. Não há custo de produção que justifique que a água mineral tenha subido mais de 100% entre dezembro e janeiro”.

O governo da Venezuela tem denunciado que tal incremento dos preços é uma resposta ao aumento salarial de 40% decretado por Maduro no final do ano passado. Devido a isso, segundo a AVN o governo ordenou que os produtos tenham o preço correspondente ao mês de dezembro de 2017, a fim de frear a especulação.

A Sundde e os funcionários do governo encarregados de implementar o programa social Grande Missão de Abastecimento Soberano (Gmas) têm realizado inspeções regulares às empresas de processamento de alimentos e de produtos de higiene e primeira necessidade para garantir que estejam cumprindo a lei.

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