O relator e especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Promoção da Ordem Democrática e Equitativa, Alfred de Zayas, declarou que as sanções impostas pelos EUA e outros países à Venezuela estão causando mortes entre a população.

Segundo ele, que irá publicar um relatório com suas conclusões sobre a situação do país, a aplicação das leis dos EUA fora de seu território, ou seja, a aplicação de sanções que impedem o governo venezuelano de emitir e vender títulos, está fazendo com que a população venezuelana sofra as consequências.

“E a extensão das sanções está causando mortes”, disse De Zayas à rede de notícias norte-americana The Real News.

E exemplificou: “Porque se você precisa de insulina e não a recebe porque as sanções dificultam o acesso a ela ou atrasam a disponibilização de medicamentos, pode ser tarde demais e o indivíduo pode morrer.”

O relator afirmou ainda que existe uma guerra econômica contra a Venezuela, especialmente devido às sanções impostas pelos EUA, Canadá e União Europeia.

“Elas têm agravado consideravelmente a Crise econômica do país. Se você quer comprar medicamentos no exterior e sabe que 97% das receitas da Venezuela vêm do petróleo, então você tem que ter acesso aos recursos financeiros, mas eles estão congelados nos EUA”, afirmou.

Em novembro do ano passado alguns estados da Venezuelana sofreram uma crise de malária e a Colômbia se recusou a vender os medicamentos necessários, então o governo venezuelano teve de comprá-los da Índia, o que tornou a aquisição muito mais custosa.

“Eles [os venezuelanos] estão encontrando um bloqueio em cada etapa” e isso também se reflete na escassez de certos produtos que são importados e deixa a população insegura, continuou. “Se alguém quer ajudar a Venezuela, então tem que levantar as sanções e parar com essa guerra econômica”, indicou o também acadêmico.

De Zayas sugeriu que deveria ser conduzido um estudo a respeito do número de vítimas mortais causadas pelas sanções e pela “guerra econômica” na Venezuela, que ele considerou ilegal e violatória da Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA) e das resoluções da ONU.

Além disso, “as sanções à Venezuela implicam um crime contra a humanidade” e poderiam ser levadas à Corte Penal Internacional por violarem o Artigo 7º do Estatuto de Roma.

Desde que tomou posse, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem imposto diversas sanções unilaterais a funcionários do Estado venezuelano que, na prática, prejudicam a economia do país ao impedi-lo de fazer transações, negócios e acordos internacionais. Algumas delas foram acompanhadas por países e blocos aliados, como o Canadá e a União Europeia.

Para tentar driblar esse embargo econômico, o governo venezuelano criou a criptomoeda “Petro”, baseada nas reservas de petróleo do país. Entretanto, na última segunda-feira (19), Trump assinou um decreto que proíbe transações com criptomoedas envolvendo o governo da Venezuela por parte de qualquer cidadão dos EUA ou dentro de território estadunidense.

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