Todos que acompanham o mercado financeiro brasileiro, investidores ou não, sabem que o segmento de bancos é a grande mina de ouro do setor financeiro. Em 2017 o volume financeiro médio diário negociado na bolsa de valores de São Paulo (B3) até o dia 11 de dezembro foi de R$ 7,6 bilhões/dia, valor recorde em sua história, sendo que deste volume o segmento de bancos liderou a lista, tendo movimentado diariamente R$ 1,24 bilhões/dia ou 16% do total de toda a B3. Para o ano de 2018 os quatro grandes bancos projetaram crescimento dos lucros em torno de 10%, buscando receita combinada total de R$ 71,4 bilhões, podendo até mesmo superar este número, a depender do desempenho do crédito no decorrer do ano e também da continuidade da queda da inadimplência.

Lucro dos bancos deve-se principalmente ao elevado spread bancário

Na B3 o setor de bancos é composto por 21 instituições, no primeiro trimestre de 2018 o lucro total do setor foi de R$ 17,6 bilhões, crescimento de 14,2% em relação ao mesmo período de 2017, somando-se apenas o lucro dos quatro maiores bancos listados na bolsa, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander, juntos, estes lucraram R$ 16,9 bilhões. O fato de o Brasil ter o spread bancário mais alto no mundo é o principal fator que explica os altos lucros dos bancos brasileiros, explicando de forma simples, spread é a diferença entre a taxa cobrada pelo banco quando ele toma o dinheiro emprestado e a taxa que ele empresta este dinheiro aos seus clientes, sendo desta diferença entre taxas que o banco obtém o seu lucro, depois de pagar os impostos, despesas e os custos ligados ao risco de inadimplência.

Vamos entender melhor cada uma das origens de receita do faturamento dos bancos, em sua respectiva ordem de importância:

  • Cobrança de juros sobre empréstimo: É o “carro chefe” do faturamento, o banco recebe o dinheiro do cliente e o remunera a uma pequena taxa e em seguida utiliza este dinheiro para emprestar a outros clientes a taxas superiores (spread bancário);
  • Cobrança por taxas diversas: Os bancos cobram taxas pelos serviços ofertados aos clientes, sendo as principais: Taxa de manutenção de conta corrente, taxas sobre transferências bancárias e taxa por emissão de cartão de crédito;
  • Processamento de pagamentos: Toda vez que é efetuada uma venda por meio de recebimento em cheque ou cartão, o banco presta o serviço de cobrar do cliente e efetuar o pagamento ao lojista, cobrando pelo serviço em torno de 3% sobre o valor da venda;
  • Investindo o próprio dinheiro: Legalmente no Brasil, os bancos não podem emprestar todo o dinheiro que recebem em forma de depósito, uma parte deste valor deve ser mantida em caixa pela própria instituição ou aplicada em investimentos de alta liquidez e baixo risco, como por exemplo, os títulos do Tesouro Nacional.
  • Produtos financeiros de tesouraria: São serviços ofertados para controle de fluxo e gestão de riscos sobre o dinheiro que as empresas possuem disponível em caixa, sendo cobradas taxas para realização destes serviços. Os principais serviços de tesouraria são: Hedge, Swap, Termo de moeda, Opções e Combinação de derivativos;
  • Serviços financeiros diversos: Os bancos oferecem outros tipos de produtos/serviços financeiros aos seus clientes, como planos de previdência privada, seguros diversos, fundos de investimentos, entre outros, sendo cobradas taxas sobre cada um destes.

Crescimento do crédito pode resultar em maiores lucros

A retomada da economia esta sendo gradual, no mesmo ritmo que o crédito, que ainda caminha a passos lentos, fazendo com que os bancos busquem aumento de receita em outras linhas, como a cobrança de taxas sobre serviços.

O crescimento do crédito, combinado com a redução da inadimplência certamente resultará em lucros ainda maiores para este setor, que almeja em 2018 a quebra de um novo recorde.

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