Os números que desanimaram os investidores e causaram a queda das ações da Netflix em 13%, nesta semana (perda recuperada pouco depois), certamente será o assunto menos preocupante para a empresa nos próximos dias ou meses. Em um segmento que apresenta claros indícios de saturação, a grande líder do mercado de filmes e séries por streaming, vê surgir, por todas as direções, concorrentes dispostos a brigar por esse posto.

Até o Walmart, gigante do varejo, está entrando na disputa por uma fatia desse rentável mercado.

Mas, é a maior empresa de entretenimento do mundo, a Disney, que começa a causar calafrios na, ainda dominante, Netflix. Se pairavam dúvidas sobre a disposição da companhia em mergulhar de cabeça no mercado de streaming, elas deixaram de existir após a dona do Mickey Mouse arrematar, por 71,3 bilhões de dólares, a 21st Century Fox.

A proposta de compra apresentada pela Disney ficou 18,9 bilhões de dólares acima do lance inicial, realizado em dezembro de 2017. A empresa aumentou a oferta devido ao surgimento de uma rival, a Comcast.

Sem perder tempo, a Disney superou em aproximadamente 6 bilhões de dólares o lance da concorrente, antes mesmo da Fox se reunir para avaliar o valor ofertado pela Comcast. Foi então que a gigante das telecomunicações desistiu do leilão, deixando o caminho livre para o acordo da 21st Century Fox com a Disney.

O que fica com a Disney?

Apenas os canais de notícias da Fox, importante porta-voz dos conservadores nos EUA, a rede Fox e os canais esportivos FS1, ficaram de fora da transação bilionária.

Já o estúdio 20th Century Fox, os canais pagos FX e National Geographic, alguns canais regionais de esportes e participações acionárias nas operadoras Sky e na Star India, estão incluídas no acordo.

Apesar de todas as cifras envolvidas e no número de integrações de canais à Disney, a imagem que parece mais representar o tamanho da aquisição é a do provável encontro do Homer Simpson com o Mickey Mouse.

Para a Netflix, o que realmente importa é a razão estratégica de toda essa operação. A Disney passará a controlar o serviço de streaming Hulu, que possui mais de 20 milhões de assinantes e está crescendo de forma acelerada. E segundo o CEO da empresa, Robert Iger, é nesse segmento que está o futuro da Disney.

Apesar do movimento claro em direção ao streaming, vários analistas dizem que a companhia do Mickey tardou em entender que empresas de tecnologia, como a Netflix, estão vorazes sobre a audiência e as receitas publicitárias, de forma que sobraria muito pouco para a gigante do entretenimento.

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Essa constatação fez a empresa quebrar o contrato que possuía com a Netflix, para distribuição de seu conteúdo, no ano passando, tomando ela própria a direção do negócio. De parceira, tornou-se rival.

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