O Rota 2030 é uma medida provisória, anunciada pelo governo no último 5 de julho, que visa modernizar a indústria automotiva nacional e tornar os veículos mais competitivos no exterior, acompanhando as exigências dos mercados europeu e norte-americano.

Haverá também regras proporcionais para a isenção de impostos, recompensando as empresas que atingirem as metas estabelecidas pelo programa. O cronograma é que os objetivos sejam atingidos em um período de 15 anos, dividido em 3 ciclos.

Por enquanto, o Rota 2030 ainda está um tanto vago, sem todas as regras definidas, o que deve ocorrer no início de agosto. Até novembro, o programa passa pela aprovação no Congresso Nacional, para só então virar lei.

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Eficiência

O que se sabe até agora é que o primeiro ciclo, previsto para durar até 2023, exige que os fabricantes melhorem em, pelo menos, 11% a eficiência energética dos veículos, o que interfere diretamente no consumo de combustível.

Para ajudar nesse objetivo, foi concedida uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as empresas que tingirem a meta.O IPI cairá dos atuais 25% para algo que variará entre 7% e 18%, de acordo com a eficiência de cada veículo.

Será feita uma etiquetagem dos veículos, informando que estão dentro dos padrões.

Apesar disso, o cálculo será feito nas montadoras como um todo, ou seja, um veículo pode até ser menos eficiente, desde que isso seja compensado nos outros modelos da marca.

A montadora que não atingir as metas estabelecidas pelo Rota 2030 pode ter de pagar multas proporcionais à sua ineficiência energética, sendo que essa taxa pode chegar a um valor de até 20% do faturamento total. Em contrapartida, o fabricante que atingir a meta pode conseguir benefícios extras, como um desconto adicional de 2% do IPI.

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Assim, se tornará cada vez mais necessário a produção de carros híbridos e elétricos, além de injeção direta de combustível, câmbio CVT e motores turbinados, mais eficientes do que os aspirados. Poderá ainda haver um desenvolvimento nos materiais utilizados na fabricação e na aerodinâmica dos veículos, que influem no peso e desempenho.

Segurança

Em 2017 teve fim um programa nacional semelhante, o Inovar-Auto. No entanto, o principal avanço do Rota 2030 está no quesito segurança. Além de, gradualmente, obrigar os veículos a virem de fábrica com alguns itens que, por enquanto, são opcionais, serão realizados também testes de colisão mais rigorosos.

Até 2022, será exigido que os veículos tenham controle de estabilidade e tração, Isofix (sistema para a fixação da cadeira infantil), encosto de cabeça e cinto de três pontos para o passageiro do meio, no banco de trás. Outras exigências ainda estão em estudo, como os faróis de uso diurno (DRL) e os leitores de faixas de trânsito.

Descontos

Especula-se que haverá um desconto de cerca de 15% do Imposto de Renda (IR) para as empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento. Esse incentivo pode, por exemplo, estimular a criação de laboratórios independentes para crash tests, ainda inexistentes no Brasil.

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Além disso, a redução de 2% para a importação de peças sem equivalentes no Brasil também ajudará para que as montadoras não fechem as portas no país.

Apesar de toda redução de imposto, não significa que, com o Rota 2030, os carros no Brasil ficarão mais baratos. Como haverá um investimento maior em pesquisa e desenvolvimento, pode acabar não havendo tanta diferença assim no bolso do consumidor. O que talvez ocorra é que os veículos híbridos e elétricos, hoje caros, podem ter seus valores equiparados aos demais.