Bolsonaro não mediu palavras ao se referir à China como um predador voraz [VIDEO] sobre setores importantes da economia do país, e foi o que bastou para que a China ligasse o sinal de alerta no que diz respeito aos novos investimentos em território brasileiro.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente da Câmara Brasil-China, Charles Tang, afirmou que "os chefes de muitas grandes empresas chinesas estão preocupados".

"Não é que os Negócios estão sendo afetados, eles simplesmente estão em compasso de espera", disse ainda.

Tang citou as negociações da empresa chinesa CNPC com a estatal Petrobras, cujo objetivo é concluir as obras da refinaria do Comperj, no Rio de Janeiro, o que pode ser seriamente prejudicado se o Brasil adotar uma postura de afronta em relação à China.

A estatal assinou com o grupo CNODC, subsidiário da CNPC, um acordo comercial que visava concluir a estrutura da refinaria do Comperj, o que estava estagnado desde 2014 por práticas de corrupção, conforme investigação da Operação Lava Jato.

Para muitos críticos, Tang pode ter sido um tanto duro, pois foi direto ao se pronunciar dizendo que o novo presidente eleito do Brasil deve optar por finalizar as obras do Comperj em parceria com a China, do que deixar toda a estrutura apodrecendo ao relento.

No começo da semana, Bolsonaro recepcionou vários chineses sob a liderança de Li Jinzhang, embaixador da China no país, encontro esse que foi acompanhado pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas o embaixador resolveu não conceder nenhuma declaração para os jornalistas que estavam presentes ao evento.

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Jair Bolsonaro Negócios

Chineses criticam o aliado

No mês de outubro, Bolsonaro emitiu a seguinte frase queixosa sobre a China: "não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil" durante uma entrevista sobre a possibilidade de privatização da Eletrobras, que tinha sido falada pelo presidente Michel Temer.

Outro fato que desagradou o governo da China foi a suposta viagem de Bolsonaro a ilha de Taiwan em fevereiro, uma vez que Pequim vê aquela região como uma província dissidente.

Se Bolsonaro quiser melhorar a economia brasileira não será sem a China e não vai ser a China quem vai sair perdendo se o Brasil resolver dar um “gelo” nos empresários chineses, disse Charles Tang.

A título de informação, os negócios principais encabeçados pelo empresariado chineses no Brasil ao longo dos últimos anos se concentraram nos setores de petróleo e energia elétrica, uma vez que CNOOC e CNODC compraram extensas áreas no pré-sal em leilões, e as estatais China Three Gorges e State Grid puderam concluir as aquisições de ativos de eletricidade,.

Por outro lado, o governo da China tem por política quase que religiosa a não interferência nas políticas internas de nenhuma outra nação soberana, deixou claro Tang.

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