A rede de supermercados Paradiset, a maior de produtos orgânicos da Escandinávia, anunciou nesta quarta-feira (5) a decisão de boicotar produtos de origem brasileira. A opção por não mais comprar produtos brasileiros se deu em função da política de liberação de agrotóxicos que vem sendo adotada pelo governo Bolsonaro.

Sob gestão de Tereza Cristina, o Ministério da Agricultura autorizou este ano o uso de 197 agrotóxicos, alcançando, em menos de 5 meses de Governo, o maior ritmo já registrado de liberação desde 2005.

As autorizações vinham aumentando desde 2016 e, atualmente, 26% desses agrotóxicos são proibidos pela União Europeia devido aos riscos que representam para o meio ambiente e para a saúde da população e 48% são classificados como altamente tóxicos, de acordo com o Greenpeace.

Em entrevista à rádio francesa RFI, o presidente do grupo Paradiset, Johannes Cullberg, afirmou que é preciso parar o presidente Bolsonaro, a quem chamou de "maníaco". Cullberg disse ainda que, assim que tomou conhecimento da liberação de agrotóxicos por meio dos noticiários, determinou o boicote aos produtos de origem brasileira importados pela Paradiset.

Um comunicado oficial da empresa foi publicado no jornal Dagens Nyheter, o de maior circulação na Suécia. Em declaração à imprensa, o assessor de comunicação reforçou também que a rede não oferece carnes vindas do Brasil e que não tem a intenção de comprar o produto.

Foram retirados das prateleiras, até o momento, quatro tipos diferentes de melão, mamão papaya, melancia, manga, limão, duas marcas de café, além da água de coco e de um chocolate produzido com 76% de cacau de origem brasileira.

O que diz a ministra da Agricultura

No fim de maio, em discurso durante a abertura de uma feira do agronegócio em Uberaba, Minas Gerais, a ministra da Agricultura Tereza Cristina disse que os agrotóxicos por ela liberados estavam "represados por problemas ideológicos", sem especificar quais seriam.

Para o portal G1, Tereza Cristina informou que os produtos liberados são "genéricos" e que suas "moléculas principais" estavam à venda no mercado antes da autorização do uso dos agrotóxicos.

Contudo, algumas substâncias, como o glifosato, são indicadas como perigosas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Presente na composição, até o momento, de três dos agrotóxicos permitidos, o glifosato é considerado cancerígeno e as empresas que utilizaram o herbicida em seus produtos, nos Estados Unidos, são alvo de milhares de ações judiciais.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em pesquisa, fez um alerta para como até mesmo agrotóxicos considerados de baixo risco podem contribuir para o desenvolvimento de doenças a longo prazo, incluindo malformações congênitas, distúrbios hormonais, neurológicos ou mentais.

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