A tecnologia foi, provavelmente, o grande desafogo da crise imposta pelo coronavírus. Somente através de uma gestão remota foi possível contornar problemas e assim conduzir as tarefas profissionais a distância sem qualquer prejuízo.

A adaptação foi necessária, mas não traumática como se imaginava anteriormente. É isso o que adianta Laila Costa, diretora da Robbyson, plataforma de inteligência de dados para gestão de pessoas e negócios, em conversa com Blasting News. "Descobrimos, acelerando esses processos que já estavam em curso, que não era algo tão dramático quanto a gente imaginava. Pôr as pessoas para trabalhar em casa não foi uma opção traumática, foi uma opção a favor do ser humano", destaca.

Além disso, Laila ainda ressalta que todo esse trabalho já era uma inclinação impulsionada pela tecnologia. "A gestão de equipes remotas já era uma tendência. O que a pandemia fez foi acelerar esse processo. O home office, por exemplo, já era uma tendência, mas havia muita resistência entre todos os envolvidos", afirma.

Contudo, apesar de todas as benesses proporcionadas pelo avanço das mídias digitais, Laila ainda reforça a necessidade de uma universalidade desses recursos. "A tecnologia precisa ser mais democrática porque ainda é muito cara, especialmente no Brasil. E precisa ser mais acessível também", pontua.

Confira a entrevista na íntegra.

Blasting News: A Robbyson oferece um serviço de gestão de equipes remotas.

Vocês enxergam esse tipo de serviço como uma tendência nos próximos anos?

Laila Costa: Entendemos que a gestão de equipes remotas já era uma tendência. O que a pandemia fez foi acelerar esse processo. O home office, por exemplo, já era uma tendência, mas havia muita resistência entre todos os envolvidos.

É claro que dá trabalho desconcentrar as atividades e sair de um ambiente controlado, passar a contratar a distância. Mas com a necessidade de isolamento social, o home office se tornou a principal alternativa. Então, percebo que a pandemia quebrou as resistências tanto dos empresários quanto dos colaboradores.

Para os próximos anos, aposto numa modalidade que tende a ser híbrida, nem totalmente presencial, nem totalmente remota. Contar com as duas possibilidades me parece a alternativa mais atrativa, criativa e inteligente. Na Robbyson, isso já é uma realidade. Trabalhamos para facilitar a gestão onde quer que o profissional esteja.

Em meio à pandemia do coronavírus, o ser humano precisou "pôr à prova" toda a sua evolução tecnológica, sobretudo no salto dado nos últimos 20 anos. Em um cenário pós-crise, você vê a dependência da tecnologia aumentar ainda mais no cotidiano das pessoas?

O ser humano combinou soluções que já estavam postas para viabilizar os negócios em um cenário atípico. E descobrimos, acelerando esses processos que já estavam em curso, que não era algo tão dramático quanto a gente imaginava.

Pôr as pessoas para trabalhar em casa não foi uma opção traumática, foi uma opção a favor do ser humano.

Como as resistências foram vencidas ao longo da pandemia, acredito, sim, que a tecnologia vai se encaixar cada vez mais no cotidiano das pessoas. Não entendo como uma dependência, mas como uma absorção daqueles recursos no dia a dia de forma natural.

O uso dos meios digitais foi fundamental para conseguir superar as barreiras impostas pela pandemia, sobretudo quando falamos de ambientes profissionais e educacionais. Vocês veem isso como uma tendência forte para os próximos anos, imaginando-se o cenário de home office e EaD (Estudo a Distância)?

O home office e o ensino a distância se consolidaram durante a pandemia, inclusive, para pessoas que antes tinham resistência.

Isso ajuda a criar o hábito de usar essas modalidades de trabalho e estudo. No entanto, ainda existe um abismo social muito grande no Brasil e talvez a tecnologia possa transformar essa realidade, modernizando e democratizando o acesso ao ensino e ao trabalho. Acredito que a tecnologia tem potencial para isso, para mudar para melhor os ambientes profissionais e educacionais. É claro que o contato humano é insubstituível, mas recursos tecnológicos podem nos ajudar a criar usabilidade para ganhar tempo justamente para manter esse contato, essa troca tão essencial para a vida do ser humano.

De que forma a tecnologia pode contribuir ainda mais para que esse cenário atual seja o menos prejudicial possível para uma empresa?

A tecnologia precisa ser mais democrática porque ainda é muito cara, especialmente no Brasil. E precisa ser mais acessível também. Quando os polos estavam nos centros urbanos, era simples ter acesso aos principais recursos. Mas agora, com o home office, os polos mudaram de lugar, ficaram pulverizados. Então, para que a tecnologia seja acessível, é necessário investir em infraestrutura e expandir a rede de telecomunicações, por exemplo. O acesso à tecnologia precisa chegar a todos. Ao reduzir a desigualdade social, as empresas também passam a ter mais insumos e recursos adequados. Acredito no negócio sustentável: o bom negócio tem que ser bom para todo mundo.

Quais são as maiores dificuldades que uma empresa enfrenta para manter a produtividade dos funcionários que migram para o sistema home office e quais os desafios para mantê-los engajados?

As maiores dificuldades são tecnologia, contexto e relacionamento humano. A tecnologia é o primeiro percalço. Quando a empresa sai de um ambiente controlado, precisa lidar com a infraestrutura de cada pessoa em particular. Em seguida, vem o contexto. Como está o funcionário? Está em um ambiente isolado, ergonômico, adequado para o trabalho? E por fim, como a gente vai sentir de perto as pessoas? A Robbyson é capaz de medir a produtividade. Mas o desafio é manter essa produtividade sem estar em contato com as pessoas. O relacionamento é insubstituível, por isso a Robbyson investe em reduzir essa distância. Não podemos perder de vista esse contato humano. Por meio da tecnologia, entregamos as ferramentas para acompanhar o contexto de cada colaborador, perguntando como ele está se sentindo, criando ferramentas para que eles conversem entre si e façam chamadas de vídeo, por exemplo.

Nós na Robbyson acreditamos no pilar da autogestão. E mesmo a distância, nós mantemos íntegras as informações sobre dados, performance, oportunidades de melhorias etc., independentemente de onde as pessoas estiverem. E a Robbyson possui recursos que, conforme necessidade de cada indivíduo, por meio de ciência de dados, a gente pode enviar insights, dicas, procedimentos ou orientações.

Como a Robbyson enxerga o cenário pós-crise? Com o fim da pandemia, quais as perspectivas num âmbito geral para um mundo após o coronavírus?

Do ponto de vista da tecnologia, vamos ter um combo mais integrado. Se hoje eu lanço uma ferramenta nova, os clientes estão mais dispostos a experimentar, a testar. Acredito que a paciência e a disponibilidade estarão mais presentes.

Haverá mais tolerância à tecnologia. Os recursos estão mais assimilados. Teremos mais paciência com os processos de inovação e mais aptidão para inovar e aplicar mudanças. Durante a pandemia, tivemos a oportunidade de criar novas conexões. As pessoas estavam mais abertas a novas atividades, mais tolerantes com o processo.

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