Com apenas 17 anos, estudante de escola pública, com baixa renda e criada apenas pela mãe, Bruna Sena se classificou em 1º lugar no curso de medicina da USP (Universidade de São Paulo), o mais disputado da FUVEST, com 75,58 candidatos por vaga.

Segundo a mãe, Dinália, que sustenta a filha com o salário que ganha como operadora de um caixa de supermercado, Bruna sempre foi uma aluna muito dedicada e suas notas sempre giraram em torno de 9 e 10.

Dinália conta que, um dia, a filha chegou em casa com uma nota 7, mas logo foi constatado que se tratava de um erro da escola, que trocou a nota da menina com a de um colega que se chamava Bruno.

Dedicação total ao sonho

Desde que entrou para o Ensino Médio, Bruna já havia decidido que teria como foco o curso de medicina da USP. Em 2016, ano de prestar o Vestibular, a adolescente redobrou seus esforços, dedicando-se integralmente aos estudos.

Na parte da manhã, a adolescente cursava o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Alberto Santos Dumont, em Ribeirão Preto. À tarde, sua rotina era estudar em casa, sozinha. À noite, frequentava diariamente o PET-Medicina, um cursinho no qual os estudantes de medicina da USP, voluntariamente, dão aulas a estudantes de baixa renda.

Apesar de tanto esforço, Bruna diz que ficou surpresa por ter conseguido alcançar seu sonho na primeira tentativa.

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Educação

Radiante, a adolescente confessou que não esperava passar nem da primeira fase e que sua mãe não acreditou quando ficou sabendo de sua aprovação.

Bruna é a primeira pessoa da família a entrar para a faculdade.

Incentivo fundamental

Além do apoio que teve da mãe e do cursinho popular que frequentou, Bruna contou também com o incentivo de inclusão social da FUVEST, que dá pontos extras, na 1ª e na 2ª fases do vestibular, aos estudantes que vieram de escolas públicas.

Esses pontos aumentam quando o candidato, como no caso de Bruna, é negro e oriundo de família de baixa renda.

A adolescente afirmou que considera o sistema de cotas uma medida paliativa, mas necessária. Segundo ela, as desigualdades sociais no Brasil ainda são muito grandes, e não é justo tratar, da mesma forma, pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades.

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