Conheça, de forma descomplicada, alguns dos objetos de estudo da Ética e aplique esses conceitos na área de ciências humanas do ENEM. Bons estudos!

Definição de Ética

Atualmente a Ética pode ser considerada uma ciência de base teórica, a qual procura compreender e esclarecer o modo como o homem age moralmente em suas relações sociais.

É necessário inferir que, apesar da Ética estar estritamente relacionada à moral, ambas têm definições distintas. Suas diferenças consistem em a segunda ser objeto de investigação da primeira, que é uma ciência. Antigamente, elas eram definidas, de forma etimológica, como caráter e costume, respectivamente.

Sabe-se, pois, que o significado e o sentido de tais palavras mudaram no decorrer do tempo. Enquanto as práticas morais sugerem regras de comportamento, os princípios éticos elaboram juízos e explicações para tais atos, sendo eles conscientes, que acabam atingindo outros indivíduos.

Problemas morais e problemas éticos

Nas situações do dia a dia, podemos notar a manifestação de variados problemas que, de certa forma, testam nossa conduta humana; como, por exemplo, calar-se diante de uma ação injusta por um pedido de um amigo, sem se preocupar com a pessoa ou o coletivo que sofrerá as consequências da mesma.

Em casos semelhantes ao citado, as pessoas fazem escolhas conforme o dever de agir baseadas em regras supostamente adequadas. Assim estão agindo moralmente, o que nem sempre significa corretamente, isso é determinado por juízos que justificam ou não tais atos.

Se eles são definidos como bons, trazendo mais benefícios para o maior número de indivíduos, podem ser considerados éticos.

Observa-se então, que os problemas prático-morais e os problemas éticos distinguem-se pelo fato de o primeiro estar relacionado a que normas seguir em cada circunstância real e particular; já o segundo, volta-se à reflexão e à busca do melhor para o "todo".

O campo da Ética

O campo da Ética trata de problemas éticos e abrange os morais, já que apesar de serem distintos pela forma como se apresentam, geral e concreto, respectivamente, eles são correlacionados.

A Ética não pode ser considerada normativa, como já foi confundida; ela busca a explicação e esclarecimento de determinados fatos e circunstâncias na tentativa de conceituá-los. Não constitui as regras ou normas pela qual o sujeito moral deve nortear seu comportamento, esse caso volta-se mais ao ponto de vista da moral.

Podemos perceber que a Ética é uma disciplina mais teórica, enquanto que a moral é mais prática.

Embora valores éticos auxiliem a formular justificativas para as ideias e princípios morais.

Ética e Filosofia

A Ética, ao tratar de assuntos referentes a princípios morais do comportamento dos indivíduos, nos mostra a importância de estudá-la especificamente como ciência. Porém, isso acaba interferindo no campo da Filosofia que, tradicionalmente considerava a Ética um ramo filosófico comum.

Há ideologias que não reconhecem a Ética cientificamente; como o fato de alguns indivíduos acreditarem que esta constitui-se apenas de regras e juízos valorativos e não apresenta claramente argumentos válidos. Ou ainda, por estar vinculada à Filosofia especulativa, que não dá importância ao cotidiano real.

Mas, na atualidade, sabe-se da necessidade do estudo das teorias ético-científicas, assim como a Psicologia, a Antropologia e a Sociologia, não isoladas da Filosofia, mas tendo-a como aliada, pois ambas são relacionadas, já que a Ética se baseia em questões de cunho filosófico, como, por exemplo, as concepções acerca do comportamento humano.

Caráter histórico da moral

A moral, objeto de estudo da Ética, está associada ao conjunto de regras e preceitos que procuram guiar e harmonizar a convivência social do homem em comunidade. E assim como as sociedades se transformam no decorrer do tempo, as condutas morais que as regem também sofrem mudanças.

Desprezando esse aspecto histórico inerente à moral, muitos argumentos históricos sugerem que sua procedência é exterior ao homem social. Eles apontam três supostas origens morais: Deus, a natureza ou o homem em geral.

A primeira refere-se à fonte divina, sobre-humana; a segunda, ao instinto biológico, natural; e a terceira, ao homem comum. É importante lembrar que a moral sempre estará sujeita a substituições de suas normas, conforme o fator histórico-social.

Origens da moral

O surgimento da moral ocorre quando o homem deixa de agir instintivamente e passa a se comportar como ser social, integrando uma comunidade ou tribo. Já que ela trata de regulamentar o comportamento dos indivíduos em sociedade, necessita-se que o homem mantenha relações com outros e tenha certa consciência disso.

O trabalho é considerado como principal manifestação das relações do homem com a coletividade. A fim de melhor satisfazer suas necessidades, os membros de certa comunidade se juntam, caracterizando o trabalho coletivo. Assim, a moral se faz necessária para escrever o agir das pessoas de acordo com os interesses comuns à maioria.

Pode-se notar que as práticas morais buscam contribuir para a boa convivência social. Esta visa garantir a predominância de valores como o companheirismo, o respeito, a solidariedade e a prática da justiça, conforme as características de cada sociedade.

O progresso moral

Hoje já compreendemos a definição de moral e sabemos que ao longo da história ela se modifica atentando às características que representam cada comunidade social específica. Porém, a questão a ser discutida é a seguinte: essas práticas e normas morais demonstram algum progresso, elas mudam em escala ascensional?

É possível inferir, através da comparação de concepções morais em várias sociedades, que em certos casos há ascensão moral, mas noutros ocorre regressão. Como exemplo do primeiro caso, a passagem de uma sociedade altamente escravista e racista, para outra que possibilita, ainda que de forma limitada, um crescimento cultural de pessoas negras. Já exemplificando o caso retrógrado, a passagem de uma comunidade social em que valores como o respeito e a responsabilidade social eram inerentes às pessoas, para outra em que estes são banalizados.

É necessário esclarecer que nem todo progresso histórico-social também pode ser considerado moral, já que os indivíduos nem sempre usam meios corretos e adequados para ascenderem ao bem.