Durante o seminário Colabora #Educação, em São Paulo, o Secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (#MEC), Rossieli Soares da Silva, afirmou, na sexta-feira (1) que as menções ao termo "#Gênero" permanecerão na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). De acordo com Rossieli Soares, não há 'ideologia de gênero' no documento e que, portanto, a exclusão de trechos que abordam o gênero não estão em debate.

A BNCC para o próximo ano, que deve ser aprovada ainda nesta quarta-feira (6), determina os conteúdos e as práticas pedagógicas a serem adotadas por todas as instituições de ensino do país, conforme definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996.

O secretário ressalta que o documento está pautado no respeito à diversidade [VIDEO] e no acolhimento adequado a todos os alunos, sem discriminações. Ademais, é possível observar no texto que a atenção à corporalidade - e, consequentemente, às diferenças fisiológicas entre meninos e meninas - é um dos elementos a nortear a disciplina de Educação Física, a partir da qual cabe, segundo o próprio documento, a problematização de estereótipos associados aos gêneros, às condições sociais e aos fatores étnico-raciais.

Outro exemplo de abordagem do tema pode ser visto no trecho que especifica aquilo que se espera por parte dos alunos do 6º ao 9º ano acerca de reflexões críticas, bem como experiências pessoais e coletivas: problematizar questões reativas a gênero, corpo e sexualidade. Nesse sentido, o texto destaca como a vivência de adolescentes envolve, inevitavelmente, o contato com esses três aspectos que não são experimentados apenas individualmente, mas também (e principalmente) em nível social.

Diante das manifestações infundadas por parte de parlamentares e formadores de opinião religiosos e conservadores [VIDEO] que se empenharam em difundir a narrativa da "ideologia de gênero", as temáticas relativas a gênero e orientação sexual foram as mais debatidas durante as audiências públicas sobre a BNCC realizadas entre julho e setembro.

Em setembro deste ano, a Bancada Evangélica chegou a elaborar um documento endereçado a Michel Temer e encaminhado ao MEC, no qual solicitava a retirada de toda e qualquer menção a gênero, identidade de gênero e orientação sexual não apenas da Base Curricular, mas também dos demais normativos técnicos do Ministério da Educação. Alegando se tratar de uma ideologia que contraria evidências científicas [VIDEO], a missiva se mostra claramente baseada em informações equivocadas e distorcidas acerca das questões de gênero.

Agora, com a declaração do secretário e a sinalização de que o MEC deve aprovar o BNCC mantendo as diretrizes que abarcam o debate sobre gênero, devemos esperar novas manifestações por parte dos conservadores em continuidade a essa cruzada contra um inimigo inventado por eles mesmos.