Levar uma criança a praticar um esporte tem sido a alternativa de vários pais como escolha disciplinar, que age como complemento social. As crianças estão aptas para o esporte logo nos primeiros meses de vida. Nessa fase, a atividade indicada é a natação, que estimula o desenvolvimento neuromotor, fortificação da musculatura e o aumento da capacidade cardíaca.

Sem falar que tal envolvimento de uma criança com o esporte pode gerar grandes impactos na forma como se relaciona com a sociedade. A procura pelas práticas esportivas tem ido muito além da obrigatoriedade de praticar um exercício físico, considerando que a atividade esportiva ajuda na visão cooperativa e no respeito às diferenças.

De acordo com o Ministério do Esporte, 37,9% das crianças brasileiras começam a praticar esportes entre 6 e 10 anos. A primeira modalidade esportiva é o futebol. Mesmo com todos os benefícios da prática esportiva, especialistas advertem sobre o desgaste físico e psíquico do exagero e da pressão por bons resultados.

O treinamento intensivo precoce com o objetivo de criar futuros campeões certamente é nocivo. Além de danos físicos e psíquicos, o exagero no treinamento pode levar a síndrome de saturação esportiva, caracterizada por certa apatia e até aversão pelo esporte.

Alternativa pedagógica

A discussão sobre a execução de atividade física se acentua principalmente no meio educacional. Muitas pessoas, ainda hoje, têm muitas dúvidas sobre o papel da educação física dentro da grade curricular escolar.

O debate gira em torno da obrigatoriedade e da diferença entre atividade física e esportiva.

Atualmente, os especialistas definem atividade física como a prática vinculada à promoção da saúde e elevação da qualidade de vida. Já a prática esportiva como atividade corporal que, através de participação ocasional ou organizada, visa descobrir ou melhorar a condição física e o bem-estar mental, constituindo relações sociais ou a obtenção de resultados em competições.

É necessário não confundir a educação física da escola com a prática de esportes, o resultado não é o mesmo. A maioria das crianças só pratica atividades esportivas na escola. Certamente, por uma obrigatoriedade que existe as aulas de educação física.

Na verdade, o que pouca gente sabe é que a educação física vai muito além de exercitar o corpo. Educação Física escolar não tem o objetivo de revelar valores para o esporte de rendimento. E, sim, desenvolver o lado afetivo, cognitivo, social, além da coordenação dos movimentos básicos através de atividades motoras.

Deixar a criança escolher sobre que esporte deve exercer é essencial. Apesar de parecer só competição, existe um lado de desenvolvimento pessoal. O mais importante é manter o esporte como forma de ocupação e desenvolvimento da criança e do adolescente. Se eles irão ou não se destacar na sua modalidade, só o tempo e as consequências podem dizer.

Integração família/escola

Para obter bons resultados, as práticas esportivas, assim como o ambiente escolar como um todo, necessitam de interação entre a escola e as famílias. Não só por causa dos bons rendimentos, mas para incentivar e ajudar a trilhar esse caminho de descobertas junto à criança e pensar na possibilidade de atividades colaborativas.

Matricular a criança em atividades físicas e não se fazer presente pode não surtir tanto efeito assim, tendo em vista que a maioria delas pratica atividades esportivas na escola por causa dos pais. Quanto mais os pais participarem das atividades, mas benefícios terão.

As crianças que praticam atividades físicas ou esportivas tendem a ter melhor desempenho em sala de aula e nas atividades extracurriculares. Após analisar 800 artigos, pesquisadores holandeses concluíram que crianças que praticam alguma atividade física ou esportiva têm avanços cognitivos bem melhores, ou seja, conseguem ser mais focadas na aula e nas atividades em casa. A criança também tende a ficar bem mais compreensiva com os assuntos discutidos em casa, assim como consegue regular melhor sua alimentação e seus horários.

Vale destacar que a prática também ajuda com os relacionamentos interpessoais e no controle da ansiedade. O grande problema da nova geração é o acumulo de tarefas e dúvidas decorrentes da transição para pré-adolescência, o que muitas vezes acaba atrapalhando, de forma geral, a vida dessa criança e causando problemas de interação social e aceitação pessoal. O esporte tem o objetivo de inserir, efetivamente, as noções de convivência e respeito, não só na competição, como na vida pessoal dos atletas.

Diversidade esportiva no país do futebol

No país do futebol, a maioria das crianças sonha em chutar a bola para o gol por uma questão de acessibilidade à modalidade e principalmente por ser sinônimo de ascensão econômica, Que o futebol é supervalorizado, isso é fato, mas a questão cultural é um dos fatores e principalmente o dinheiro que está envolvido. Todos querem ser o novo Neymar e ter uma maior garantia que outras modalidades não oferecem.

Muitas instituições de ensino estão buscando mesclar as modalidades esportivas para dar uma visão mais ampla e oportunidade aos alunos de se descobrirem. Um grande exemplo disso é o Colégio Motivo do Recife, que sediou os Jogos Somos, promovido pela Somos Educação. Um evento com diversas modalidades e vários atletas de outros estados que também estudam na rede.