O dia 1° de março amanheceu mais colorido em Porto Alegre. Vermelhos e azuis se uniam em prol de uma causa que transcendia a razão Futebolística em busca da tão desejada paz nos estádios. Pela primeira vez, colorados e gremistas encaravam a rivalidade lado a lado e mostravam ao Brasil que adversário não é inimigo. Em campo, o clássico válido pela primeira fase do Campeonato Gaúcho terminou em 0x0, mas, do setor misto do Beira-Rio vinha a certeza de que, naquela tarde, o futebol havia ganho de goleada.

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Para cada colorado, um gremista. E para cada gremista, um colorado. Assim, os dois mil lugares reservados ao espaço da torcida mista foram preenchidos com direito a presença de figuras ilustres como o prefeito da cidade, o gremista José Fortunati, e o ex-presidente do Inter, Fernando Carvalho. O clima de paz marcou o ambiente ocupado entre rivais e deu a certeza de que a iniciativa deveria ser repetida nos clássicos seguintes.

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O próximo Gre-Nal seria disputado na Arena do Grêmio em 26 de abril para abrir a decisão do torneio estadual. Diferentemente do primeiro clássico, quando não havia um determinante grau de importância sobre o que ocorreria dentro de campo, dessa vez a partida iniciava uma disputa por título. Nem isso foi capaz de tirar o brilho e o protagonismo observado nas arquibancadas, onde, pela segunda vez, gremistas e colorados se juntaram para brindar a civilidade no futebol.

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Futebol Grêmio

Em campo, novo 0x0.

Além do setor misto nas arquibancadas, os clubes e as autoridades repetiram o que já havia sido feito em Porto Alegre nos dias de jogos pela Copa do Mundo de 2014 e fizeram o chamado Caminho do Gol. Nele, torcedores de ambos os times chegavam juntos aos jogos, e ainda se divertiam com shows musicais, peças de teatro e provocações sadias, que, se feitas com respeito e alegria, ajudam a dar sentido ao futebol.

No Gre-Nal decisivo, jogado no dia 3 de maio, enfim saíram gols sob testemunha da torcida mista. Com atuações inspiradas de Nilmar e Valdívia, o Inter venceu o Grêmio no Beira-Rio por 2x1 e conquistou o Gauchão. Nenhum incidente foi registrado no setor dividido por colorados e gremistas.

Cesar Pacheco, atual vice-presidente de futebol do Grêmio, diz que a torcida mista relembra os áureos tempos da história do clássico: “No meu tempo, assistíamos os jogos lado a lado com os colorados, só com uma corda separando, e não havia problema algum.

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Hoje é preciso dois batalhões da polícia e mais cachorros para cuidar, sendo que o esporte é feito para unir e não para separar ou gerar brigas”, salientou.

O sucesso da iniciativa chamou a atenção da crônica esportiva do centro do país e, dada a repercussão positiva, tornou-se praticamente condição obrigatória para a realização de um Gre-Nal a partir de então. Tanto é que enquanto Grêmio e Inter se preparam para o encontro pelo Campeonato Brasileiro marcado para este domingo (9), na Arena, às 18h30, gremistas e colorados já combinam de irem juntos ao jogo – que promete dar ao Brasil outro exemplo de civilidade, abrigando as duas torcidas em uma só pela quarta vez em 2015.

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