Foram precisos exatos 14 anos para que o Brasil pudesse sentir mais uma vez o saboroso gosto de estar no topo do ranking do Tênis mundial. Dessa vez, o mineiro Marcelo Melo, 32 anos, será o número 1 do mundo em duplas na lista da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) por ter atingido às semifinais do ATP 500 de Viena, na Áustria, nessa semana – torneio que, nesse domingo (25), sagrou-se campeão jogando ao lado do polonês Lukasz Kubot.

Melo ainda era jovem e ensaiava as suas primeiras raquetadas no circuito profissional quando Gustavo Kuerten vivia o seu auge. Com o tricampeonato de Roland Garros e o título da então Masters Cup (que hoje é o ATP Finals) em 2000, Guga fincava a bandeira verde e amarela no topo do tênis pela última vez em 2001. Mais de uma década depois, é a vez de Girafa, como carinhosamente Marcelo Melo é chamado, se juntar ao eterno Manezinho da Ilha como os dois únicos brasileiros a conseguirem tal façanha.

Nessa decisiva semana que o colocou como o líder no ranking de duplas, Melo contou com uma certa ajuda norte-americana. Na segunda-feira, o mineiro ainda era 3° colocado com 7.980 pontos, 500 atrás dos irmãos americanos Bob e Mike Bryan, que seguiam na ponta da lista. Só que em Viena, fazendo dupla com outro norte-americano, Steve Johnson, Mike Bryan caiu na primeira rodada do torneio, o que abriu o caminho para Melo chegar ao objetivo.

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Bastaria passar pelas quartas de final. Ele fez melhor: ganhou o torneio.

O mineiro, aliás, entra para a história por ser um dos poucos tenistas a tirarem os Bryans do topo do ranking de duplas. Juntos, os irmãos americanos somam 106 títulos de torneios da série ATP. Eles ocupavam o primeiro posto da lista desde 18 de setembro de 2003, e raríssimas vezes perderam o almejado lugar. Apenas duas duplas conseguiram o feito: o canadense Daniel Nestor e o caribenho Mark Knowles em 2004 e novamente Nestor, mas dessa vez com o sérvio Nenad Zimonjic, em 2008.

Dessa forma, Girafa será o primeiro tenista da história a desbancar Bob e Myke Bryan de forma individual no ranking de duplas, já que o brasileiro acumula, na atual temporada, mais pontos que o seu habitual parceiro, o croata Ivan Dodig. No momento, Dodig é o 6° melhor duplista.

Seis parceiros distintos no mesmo ano

Para chegar ao primeiro lugar do ranking, Marcelo Melo demonstrou que sabe jogar com diferentes parceiros sem perder o alto rendimento.

Só em 2015, o mineiro jogou com seis duplistas distintos. Ele abriu a temporada ao lado do bielorruso Max Mirniy. No Australian Open, primeiro Grand Slam do ano, retomou a dupla com Ivan Dodig.

Nos torneios da gira brasileira (Rio Open e Brasil Open), esteve em sintonia com o austríaco Julian Knowle. No Masters 1000 de Miami, Melo voltou a jogar ao lado do também brasileiro e mineiro Bruno Soares, com quem joga nas disputas de Copa Davis.

Por fim, nas últimas semanas, Girafa teve dois parceiros diferentes e dois títulos. Primeiro, ao lado do sul-africano Raven Klaasen, venceu o Masters 1000 de Xangai. Nesse domingo, com o polonês Lukasz Kubot, faturou o ATP 500 de Viena.

No melhor ano de sua carreira, Melo não apenas virou número 1 do mundo, como também ganhou o seu primeiro Grand Slam. Quis o destino que fosse justamente Roland Garros, o mesmo torneio que por três vezes consagrou o nosso maior representante da história do tênis – e que agora tem uma grata companhia.

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