O Campeonato Paulista de 1969 já tinha 15 rodadas completas no grupo B, o grupo do Corinthians. O 'Timão' liderava a tabela jogando o fino da bola. Doze vitórias e apenas uma derrota, ante o América de São José de Rio Preto, fora de casa. Vitórias em todos os clássicos. A longa "fila" de 23 anos dolorosos sem um título paulista já completava quinze. A torcida se animava com um time que tinha entre os destaques o lateral Lidu, de 22 anos, advindo do Londrina (PR) naquele 1969 e que acumulava 36 jogos com a camisa alvinegra.

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Outro jovem valor, contratado ante o América (RJ) em 1967, o meia Eduardo, de 26 anos já havia conquistado a 'Fiel'. Ele estava presente no jogo histórico da quebra de "tabu" de onze anos sem vencer o Santos pelo Campeonato Paulista, em 1968. A morte destes dois jogadores foi o estopim para que a torcida corintiana apelidasse o Palmeiras de "porco".

Tudo começou a mudar na madrugada de 28 de abril daquele ano. Após saírem para comer uma pizza, Lidu e Eduardo perderam o controle de um fusca em plena Marginal do Tietê e bateram em uma alça de sustentação da ponte da Vila Maria.

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Futebol Palmeiras

Os dois morreram na hora. Uma tragédia se abateu sobre o Futebol paulista, em especial à torcida do Corinthians. O Parque S. Jorge foi "invadido" por uma multidão durante o velório dos dois atletas. Para o prosseguimento do Campeonato Paulista, os prazos para a inscrição de novos jogadores já haviam se encerrado. Após várias discussões com a Federação Paulista de Futebol (FPF), o presidente do 'Timão', Wadih Helu, tentou convencer os demais participantes do certame sobre a necessidade de o Corinthians contratar dois jogadores, após tragédia tão comovente.

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Para ser aceita, a decisão devia ser unânime. Não foi graças ao Palmeiras, o único clube contrário.

Irritado, Wadih Helu chamou o Palmeiras de "porco", devido ao espírito de porco. Na retomada do 'Paulistão', o Corinthians não deu sequência e foi o último colocado na fase final. O Santos sagrou-se campeão naquele ano. Mas entre os torcedores o apelido "pegou". Passaram a provocar o rival de todas as formas possíveis sempre fazendo alusão ao "porco".

Durante dezessete anos os palmeirenses se indignaram com a alcunha odiosa, cujo batismo havia sido feito pelos adversários mais marcantes.  Em 1986, o 'Verdão' era a sensação do Campeonato Paulista. Desta vez, o jejum de títulos era alviverde e já contava dez anos de 17. Naquele ano, o Palmeiras chegou à final contra a Internacional de Limeira. Nas arquibancadas, a felicidade ante o possível fim da "fila" ajudou a reverter a raiva e a aceitar o apelido de "porco".

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Mesmo com a derrota para a Inter de Limeira naquela final - o primeiro título de um time pequeno do interior na história do 'Paulistão' - a torcida alviverde manteve o carinho pelo "porco" que hoje virou praticamente mascote do clube, juntamente com o periquito.

Outra curiosidade do episódio de 1969 foi que o destino fez o Corinthians buscar um lateral para a temporada de 1970. O contratado foi Zé Maria, da Portuguesa. O 'Super Zé' foi titular do 'Timão' por treze anos, e é um dos maiores ídolos da 'Fiel'.

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