Menos de um mês atrás, acontecia em Santa Clara o Super Bowl L. Estrelas multimilionárias se digladiavam em campo, batendo recordes de audiência enquanto empresas disputavam a tapa um lugar no intervalo comercial mais caro do mundo. A maioria dos portais de notícias do mundo lembrou de colocar em destaque a vitória do Denver Broncos por 24 a 10 sobre o Carolina Panthers.

Longe dali, em terras brasileiras, o futebol americano cresce vertiginosamente em popularidade. É cada vez mais comum encontrar não só quem assista, mas também que pratique o esporte que tempos atrás era desconhecido no país.

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Um trabalho jornalístico excepcional feito pela ESPN permitiu tal feito. Muitos habitantes do Brasil passam seus domingos assistindo às partidas da NFL.

Mas a prática do esporte ainda é amadora.

Sem poder ser comparada com a infra-estrutura norte-americana. Quem entra em campo por aqui, o faz por amor.

No mês de julho de 2015, foi disputado em Canton, Ohio, Estados Unidos, a Copa do Mundo de futebol americano. Pela primeira vez, a seleção brasileira esteve presente. Na estréia, derrota por 31 a 6 para a França. Uma vitória por 28 a 0 sobre a Coréia do Sul e uma derrota por 16 a 8 para a Austrália encerraram a campanha.

Uma equipe de Cinema acompanhou essa experiência marcante. Desde a fase de treinos, que aconteceu em Irati, no Paraná, até os momentos mais importantes, em Ohio. Wadih Elkadi e Vinícius Berger, apaixonados pelo esporte, tiveram a ideia de de produzirem material sobre o futebol americano no Brasil. O plano original era acompanhar a equipe feminina no mundial de Flag (versão sem equipamentos pesados e com contato muito mais brando) em 2014, na Itália, mas o prazo curto impossibilitou a execução.

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A classificação para a Copa do Mundo, porém, deu uma nova chance. E a equipe começou a se mobilizar para ir a Irati filmar o training camp. Quatro pessoas estiveram ali, e três foram aos Estados Unidos, custeando as próprias passagens e estadias, acompanhar esse momento histórico do futebol americano tupiniquim.

Segundo Elkadi, a parte mais marcante foi "Ver os atletas entrando em campo pela primeira vez, uma experiência única. Perceber que eles tinham o sonho de representar o Brasil, e mesmo sendo atletas amadores, conseguiram cumprir com seus objetivos". Produtor executivo de "No País do Football" e um dos idealizadores do projeto, ele hoje tenta captar recursos para a finalização desse documentário.

A vinte e um dias do final da campanha, o longa-metragem já conseguiu no Catarse (site de crodwfunding, ou financiamento voluntário coletivo) quase doze mil reais, cerca de 26% do pretendido para entregar o produto pronto. O dinheiro será usado para transformar as mais de cem horas de material filmado em cerca de uma hora e meia de produto cinematográfico, e então procurar espaço em festivais e, depois, na televisão.

Essa experiência "No País do Football" fala muito sobre as relações diretas exercidas sobre o cinema e o esporte no Brasil. O amadorismo e a necessidade de patrocínios para uma vida longa. Se existe a vontade de filmar ou ser atleta, muitas vezes por amor ao ofício, não é possível alçar vôos mais altos pelas dificuldades financeiras. A dedicação e o trabalho duro de alguns depende de uma colaboração de muitos.

Elkadi diz que "A proposta é pagar os profissionais que irão participar da finalização do documentário. O montador, o editor de som, o colorista". Caso consiga alcançar a meta via financiamento coletivo, será nao apenas uma vitória do cinema independente brasileiro, mas também a segunda do país na Copa do Mundo.

Belém de Oliveira, Fábio Nascimento, Roberto Spinelli e Sílvia Kiefer são os outros membros da equipe. O projeto tem mais vinte e um dias para alcançar a meta de quarenta e cinco mil reais e, enfim, poder ganhar vida.