A estatura pode até ser baixa, mas a história com a camisa do Juventude é gigante. Do alto dos seus 1,68m, Lauro Antonio Ferreira da Silva olha para trás e vê uma carreira praticamente inteira dedicada ao clube de Caxias, que, a começar por esse domingo, poderá voltar a reviver suas maiores glórias. De chuteiras já penduradas, o ex-volante Lauro, que bateu a expressiva marca de 500 jogos pelo Juventude, estará de olho na grande decisão entre o seu ex-time e o Internacional.

A partir das 16h, no estádio Alfredo Jaconi, os comandados do técnico Antônio Carlos Zago tentarão repetir o feito histórico do Juventude de 1998, que quebrou uma hegemonia de 44 anos da dupla Gre-Nal no estado e conquistou o título sobre esse mesmo Internacional. Titular naquela conquista, Lauro (na foto de capa, abraçado por dois companheiros) relembra o clima do grupo na época da decisão e traça um paralelo: segundo ele, a diferença técnica entre os clubes naquele momento já não existe mais.

“O grupo inteiro estava confiante para enfrentar o Inter e muito motivado, era a possibilidade ali de escrever uma nova história. Eram quase 50 anos de predomínio da dupla Gre-Nal. Até aquele momento, éramos tido como as demais equipes do interior, que na hora H não enfrentavam Inter e Grêmio à altura. A partir do título de 98, ficamos conhecidos. No ano seguinte veio o título da Copa do Brasil. As pessoas acreditavam pouco na gente.

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Hoje entendo que é plenamente possível o Juventude alcançar uma final”, destaca Lauro, em entrevista exclusiva à Blasting News Brasil.

Lauro esteve presente nos dois jogos da final gaúcha de 1998. No jogo de ida, o Juventude fez 3x1 no Inter e levou boa vantagem para Porto Alegre, onde garantiu o título após o empate em 0x0. O ex-volante, que vestiu as cores da equipe caxiense de 1993 a 1998 e depois de 2004 a 2010, acredita que, 18 anos depois, o feito pode ser repetido.

“Foi um grande feito do Juventude na semi ter tirado o Grêmio. Não vejo tanta diferença técnica entre Juventude e Inter atualmente. Por ter enfrentado o Grêmio daquela forma, o Juventude está com a confiança em alta, motivado, e pode conseguir novamente. Pelo que eu tenho visto do Juventude jogar, há uma proposta clara que é se defender bem. Jogar no erro do rival. Nessa final, o Inter vai ter a pressão e a responsabilidade por ser a equipe grande, não acho que o Juventude tenha que mudar em nada”, acrescentou.

As lembranças do 8x1

Se em 1998 o Juventude escreveu uma nova página no Rio Grande do Sul ao vencer o Inter na final, uma década depois a história foi completamente diferente. Lauro, de verde e incansável no meio campo, viveu os dois lados da moeda. Em 98, a glória; em 2008, a frustração. Na segunda final na história do Gauchão entre as duas equipes, o Inter atropelou o rival no Beira-Rio e aplicou 8x1 com três gols do eterno ídolo Fernandão.

“Eu não sei se o placar deveria ter sido de 8, porque entendo que foi um resultado bem anormal, mas a diferença técnica entre as duas equipes naquele momento era muito grande. Nós tínhamos vencido o Inter três vezes durante o campeonato até aquele jogo. Tínhamos acertado tudo. Preparação, estratégia, postura... E naquela decisão no Beira-Rio talvez tenha faltado um pouco de maturidade”, resume o volante.

O tira-teima entre as duas equipes se inicia neste domingo no Alfredo Jaconi e tem sua definição no Beira-Rio, em Porto Alegre, na semana que vem. Do lado do Juventude, o objetivo é repetir 1998 e buscar o seu segundo título gaúcho na história. Pelo lado vermelho, a busca é pela manutenção da hegemonia estadual com a conquista do hexacampeonato. Quem leva? Melhor não perguntar para um certo volante...

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