A contratação de Cristóvão Borges pelo Corinthians foi uma grande surpresa para a maioria dos torcedores, imprensa e mesmo quem atua no meio do Futebol. A saída de Tite, o novo técnico da Seleção Brasileira, deu a entender que o alvinegro da capital paulista buscaria um nome de impacto para substituir um dos profissionais mais vencedores da história do 'Timão'. Após a surpresa inicial, no entanto, uma análise mais detalhada mostra que o Corinthians buscou Cristóvão para mudar o paradigma, mas sem radicalismo.

Apesar de o perfil do técnico guardar semelhanças com o de Tite, a escolha corintiana abandonou a "escola gaúcha", representada por Tite e Mano Menezes.

Desde 2007, excetuando-se um período em 2010, quando Adílson Batista dirigiu o clube por 17 jogos, o Corinthians só teve gaúchos no banco. Talvez seja essa a mudança importante. Sai a preocupação excessiva com a defesa, com a intensidade e o controle das partidas.

Entra uma filosofia mais voltada ao ataque, à velocidade e à busca pela criação e os gols. Esta mudança de paradigma traz enorme responsabilidade ao novo técnico do Corinthians. A dupla Mano Menezes e Tite construiu uma trajetória repleta de vitórias no Parque S. Jorge. Conheça um pouco mais sobre os porquês desta escolha da diretoria corintiana.

Perfil

O antigo técnico tinha o perfil mais explosivo durante as partidas.

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Futebol Corinthians

Tite costumava assistir grande parte dos jogos em pé, à beira do banco de suplentes, gritando com os jogadores 90 minutos. Cristóvão é mais discreto neste aspecto, porém, a maneira dele conduzir entrevistas, treinos e no relacionamento com os jogadores é bem parecida. Este foi um dos principais motivos da contratação dele pelo Corinthians.

Parte Financeira

Não foi divulgado o salário que o novo técnico do 'Timão' receberá, no entanto, é bem fácil afirmar que os rendimentos do novo comandante são bem inferiores ao que Tite recebia.

Basta comparar o tempo de carreira e o número de conquistas dos dois. No final do ano passado, o Corinthians promoveu um desmanche no elenco, perdendo seis titulares. Não foi segredo para ninguém que uma das razões para que o clube não lutasse para segurar os atletas eram os altos salários.

Tático

Cristóvão Borges é também admirador do famoso esquema preferido de Tite, o 4-1-4-1. Mas o baiano gosta de colocar as equipes que comanda com uma estratégia mais solta, mais ofensiva, o 4-2-3-1, com variações para o 4-3-3 e o 4-4-2.

Ecos disso já foram vistos na primeira vitória dele ante o Santa Cruz, na Arena Corinthians. Triunfo sofrido, com falha individual, mas que mostrou um excelente primeiro tempo. Com Borges, o Corinthians deve buscar mais o ataque e o jogo mais veloz, deixando de lado aos poucos a troca incessante de passes e a busca do controle no volume de jogo. Uma equipe mais incisiva, rápida e presente no ataque é o que pode acontecer com o Corinthians. 

A grande força do Corinthians "gaúcho", o setor defensivo, será a maior fonte das dores de cabeça do novo técnico, uma vez que, desde o ano passado, a diretoria alvinegra vem promovendo um verdadeiro desmonte na região. A dupla de zaga campeã brasileira em 2015, Gil e Felipe, saiu, assim como Ralf, talvez o jogador mais importante da retaguarda corintiana desde 2010.

Ambição Profissional

O ex-técnico de Vasco, Bahia, Fluminense, Flamengo e Atlético Paranaense não possui conquistas como treinador principal, mas mostrou que tem potencial para isso. O Corinthians oferece a ele uma grande oportunidade de realizar um trabalho com mais calma, em um time que tem mantido a postura de dar respaldo aos técnicos nos últimos anos. Cristóvão terá tempo, material humano e apoio da diretoria, tudo o que faltou em trabalhos anteriores. Resta saber se o baiano aproveitará talvez a maior chance da curta carreira como técnico.

Quem manda no futebol, em primeira instância, são os resultados. Borges assinou com o Corinthians até o final de 2017, porém, a trajetória no Brasileirão é que irá definir se ele fica ou sai para o ano que vem.

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