O órgão executivo da União Européia, Comissão Européia, concluiu uma investigação feita junto ao Poder Público Espanhol e confirmou que o órgão feriu leis do bloco econômico comunitário sobre auxílio estatal. O levantamento apontou que a estatal concedeu vantagens indevidas à sete clubes espanhóis. Além da dupla de gigantes Barcelona e Real Madrid, estão envolvidos na investigação as equipes do Valência, Athletic Bilbao, Osasuna, Elche e Hercules.

Os valores que devem ser devolvidos pelos clubes devem chegar aos 68 milhões de euros, algo em torno de 250 milhões. 

A investigação foi coordenada pela encarregada da política de concorrência da União Européia, Margreth Vestager, ex-vice-primeira-ministra da Dinamarca. De acordo com o jornal espanhol El Pais, as investigações já estavam concluídas em fevereiro de 2016, mas o órgão preferiu esperar que a Espanha elegesse um novo governo para entregar o relatório. 

Entenda os casos

Em 1998, a prefeitura de Madrid fechou com o clube merengue um acordo para ceder um terrento, avaliado em 594 mil euros à época.

As negociações não evoluíram, e o terreno nunca foi cedido ao Real Madrid. Treze anos após o caso, em 2011, a municipalidade pagou uma compensação financeira ao Real que girava em torno de 22,7 milhões de euros. De acordo com os dados levantados pela investigação, o atual campeão europeu deveria receber somente uma compensação no valor de 4,3 milhões. 

Outros clubes, como Barcelona, Athletic Bilbao e Osasuna aproveitaram-se de outros privilégios fiscais desde 1990 até janeiro de 2016, data que marca a correção da legislação feita pelo governo Espanhol. Valencia, Hercules e Elche - os dois últimos  clubes de menores - receberam empréstimos avalizados pelo Instituto Financeiro de Valencia e precisam reestituir, 20,4 milhões, 6,1 milhões e 3,7 milhões de euros, respectivamente. 

A Comissão Européia alertou, porém, que a irregularidade não está no fato do Governo Espanhol ajudar os clubes, mas sim fazer isto gerando uma competição desleal entre eles. “Usar o dinheiro dos pagadores de impostos para financiar clubes de Futebol pode criar essa competição desleal.

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O futebol profissional é uma atividade comercial, com muito dinheiro envolvido, e o dinheiro público precisa obedecer as regras da competição leal. Os subsídios investigados nesses casos não fizeram isso”, afirmou Margreth. 

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