Casa do adversário, estádio lotado e seu principal jogador lesionado. O cenário parecia desolador para a seleção de Portugal quando, aos 24 minutos do primeiro tempo, o craque lusitano Cristiano Ronaldo precisou ser substituído na final da Eurocopa 2016, disputada neste domingo, dia 10, na França. Enfrentando a boa seleção francesa no Stade de France, em Paris, os portugueses reviveram por alguns minutos o drama da Eurocopa de 2004, quando deixaram a vitória e o título escaparem para a Grécia em casa.

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Mas não agora, não dessa vez. Em 2016 a história teria um final diferente e feliz - para alívio de toda a nação portuguesa.

Se a ausência de Cristiano Ronaldo deixou a equipe de Portugal menos ofensiva, não a deixou menos valente. Embalada pelo lema de não serem apenas os onze em campo, mas sim os onze milhões do país, os lusos se dedicaram taticamente e mostraram muita raça para segurar os avanços franceses, capitaneados pelo atacante Griezmann e pelo volante Sissoko.

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Apesar do apoio vindo das arquibancadas parisienses, os donos da casa não conseguiram furar o bloqueio dos portugueses, e viram a equipe do goleiro Rui Patrício ganhar confiança com o andamento da partida, vencida por 1 a 0 na prorrogação.

O feito português com a conquista de seu título inédito se torna ainda mais surpreende ao analisarmos a campanha da equipe lusitana. Desacreditada desde o início da competição e taxada de pragmática, o time foi trilhando o seu caminho mais com o coração do que com a razão, já que empatou seus cinco primeiros jogos: três na primeira fase, uma vitória na prorrogação contra a Croácia nas oitavas, e uma vitória contra a Polônia nos pênaltis nas quartas.

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Futebol

A primeira vitória nos 90 minutos de jogo normal veio apenas na semifinal, quando o time bateu país de Gales por 2 a 0. Na final, mais um empate no tempo normal que terminaria com festa portuguesa na capital francesa.

 

O jogo

Apesar de muito disputada e tensa, a final também teve momentos de grande emoção. Quando o jogo se encaminhava para o fim e para a subsequente prorrogação, os portugueses tiveram que lidar com seus nervos ao verem o Gignac driblar o zagueiro luso-brasileiro Pepe e chutar em direção ao gol.

A bola já havia ultrapassado Rui Patrício quando caprichosamente bateu na trave, salvando os visitantes daquele que seria o tento do título francês aos 46 minutos do segundo tempo.

De volta para a prorrogação, os portugueses foram pacientes o suficiente para se segurar com maestria e atacar quando a seleção francesa cedia espaços. Foi num desses momentos que o inédito título começou a se tornar realidade.

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Aos 4 minutos do segundo tempo da prorrogação, o atacante Éder recebeu a bola na área rival e fuzilou para o fundo das redes do goleiro Lloris. Acompanhando a partida de fora das quatro linhas, junto à comissão técnica e aos reservas portugueses, o craque Cristiano Ronaldo explodiu em alegria.

Sem nenhum título de expressão em sua história, os portugueses precisaram controlar seus ânimos e o ímpeto dos franceses nos 12 minutos seguintes.

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Chefiados pelo treinador Didier Deschamps, campeão do mundo como jogador na Copa de 1998, os franceses tentavam “não abaixar a cabeça”, como o técnico havia pedido. Mas os esforços da equipe não foram suficientes para alcançar o empate, e Portugal precisou apenas manter a concentração para aguardar o apito final que sacramentou o inédito título.

Quando o juiz sinalizou o fim do jogo, a alegria foi repleta. Apesar de estarem em menor número nas arquibancadas do Stade de France, os torcedores lusitanos fizeram uma verdadeira festa portuguesa, com certeza. Quando Cristiano Ronaldo ergueu a taça de campeão da Eurocopa, o país provou que - como cantou sua torcida ao longo do torneio - eram mais do que onze em campo. Eram onze milhões.

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